Leia trechos de ‘Do outro lado do Atlântico’

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Entre trincheiras

No escuro das frias trincheiras dos alpes italianos, após um dia de combates, numa noite quem sabe de que medos e dores feita, imagino meu pai, um jovem soldado pensando na família e na mulher cuidando de tudo sozinha desde que ele fora convocado para servir o exército italiano. Ele devia se afligir sem saber o que se passava conosco, se teríamos escapado aos bombardeios, se estaríamos passando quais necessidades…

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Na Segunda Guerra Mundial (1940-1945), escapar da morte é a tarefa de dia e noite. Mas, quando cai a luz do sol e os combates diminuem, é a hora da saudade de casa e da incerteza da guerra. Lavinio, meu pai, trabalhava memórias e saudades com as mãos. Esculpia sonhos e mensagens em sua mente, imaginando um dia registrá-las. Como? Onde? Na gaveta de alumínio onde era servida sua comida. Eu, Franco, seu filho primogênito, ainda era um bebê – nasci seis meses antes do início da guerra –, e o pai não sabia se voltaria para me ver crescer. (…)

Um tesouro que guardo com muito cuidado. As mensagens se combinam com ilustrações de traço fino e perspectiva perfeita. Contra a dureza da guerra, a leveza e a precisão das mãos de artista. Não era só à noite que era preciso ocupar a cabeça. Às vezes o trabalho podia ser também durante o dia. Quando os bombardeios eram muitos e todos precisavam se esconder enquanto o mundo explodia acima de suas cabeças, entalhar a vida e a saudade era a sua forma de não enlouquecer. Quem sabe pelo que passava quando fez cada um desses desenhos, inscreveu os nomes da família, suas dedicatórias e pensamentos.

***

 

Quando a guerra acaba…

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Finda a guerra, era hora de reconstruir cidades e famílias. Os escombros podiam ser reerguidos, mas e as pessoas que ficaram pelo caminho? O pai voltou para casa, mas seu cunhado, Enzo, que também tinha sido convocado, não. Ele foi dado como morto, embora seu corpo nunca tivesse sido encontrado.

Dois anos já haviam se passado quando, um dia, chegaram da rua gritando pela avó:

— Albina, Albina!

— Calma, o que foi?

— O Enzo! O Enzo! Não sei se é… está muito magro! Está vindo aí!

Ela correu o máximo que aguentava em seu vestido negro de luto até os pés, avental branco por cima. Ao se aproximar do homem que chegava, ela perdeu o fôlego e diminuiu o passo, embora tivesse os olhos sempre fixos nele. Ele foi chegando mais e mais perto…

— Enzo!

A voz embarga e os olhos se enchem de lágrimas – os da nonna Albina e os meus, ao relembrar a história. Ele estava um esqueleto ambulante, mas ali só uma coisa importava: ele estava vivo! O filho perdido na guerra voltara para casa.

Tio Enzo havia sido enviado para combater no front russo, mas a chegada do inverno deixou os soldados italianos totalmente desguarnecidos. Ele foi preso pelo exército inimigo e quase morreu fuzilado.

Estava prestes a ser morto por um soldado quando um oficial russo se colocou entre eles com seu cavalo.

— Deixa o rapaz ir embora! Acaba com essa história…

Enzo deu o nome daquele oficial russo, Ivan, a um de seus filhos, como homenagem àquele que salvara sua vida. Havia homens de boa índole também do lado de lá das trincheiras…

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Rumo ao Brasil

Para nós, crianças, a viagem de navio era uma aventura com destino a um mundo desconhecido. Tentava imaginar como seria o Brasil, principalmente as pessoas que habitavam aquele país recente: feições diferentes, outras tonalidades de pele, outros cheiros e cores. Antes de deixar a Itália, o navio fez uma parada em Nápoles, para o embarque de mais passageiros e carga e, através de Gibraltar, passamos do Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. Nenhum dragão, nem monstros marinhos. Sol, bom oceano, com ondas mais alongadas e tranquilas. (…)

Dias antes de nos aproximarmos do Equador, a tripulação do navio começou a preparar uma festa em comemoração à passagem pela fronteira entre os hemisférios norte e sul. As mentes infantis imaginavam como seria aquele momento especial de travessia. Como faz? Passa por baixo? Haveria um risco no céu? O oceano mudaria de cor? A festa no navio era simples, mas divertida e com boa comida. Houve um concurso para premiar aquele que fosse capaz de comer a maior quantidade de macarrão à bolonhesa em menor tempo. Gritos e palmas acompanhavam os grandes comedores em sua luta, sem talheres, com a massa e o molho. Entre homens grandes e gordos, um genovês alto e magro – magro como uma caneta! – começou a chamar atenção: sugava com rapidez e barulho porções imensas de espaguete.

Terminou a montanha do primeiro prato e pediu logo o segundo, enquanto seus adversários desistiam um a um:

— Bota outro aí! — ele gritou mais de uma vez, com os braços para cima e feliz da vida.

E logo fez a comida do segundo prato desaparecer. O navio inteiro ficou alucinado com o feito do genovês esguio! A música e a dança seguiram noite adentro, em meio a risos e homenagens.

Eu tinha apenas 12 anos, mas já conhecia bem a guerra para imaginar que aquele homem provavelmente sofrera muito com a fome durante os anos de escassez. Mesmo com o balançar do oceano e da dança, o genovês não passou mal com o estômago tão cheio.

Aquelas porções imensas de comida e o baile que veio depois talvez festejassem, na verdade, a promessa de fartura em terras distantes.

***

 

Música para viver

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Meados da década de 1940. Na cozinha de uma casa simples de Padova, uma família se reúne para o jantar. Nos pratos, pouca comida, mas o suficiente para resistir aos tempos difíceis e esperar pelo retorno daqueles que travam as batalhas da Segunda Guerra Mundial. Quando todos terminam de comer, tio Gastone – ainda muito jovem para o front – quebra o silêncio com os primeiros versos de La Montanara. Aos poucos, todos se unem e cantam juntos aquela canção sobre amor no alto das montanhas.

A montanara é a jovem das montanhas e também o cântico dos que se esforçam nas subidas em terreno íngreme e gelado. A música marcava o ritmo de caminhada dos povos dos Alpes, soando como um espetacular coral de anjos. Hoje, se não podemos ouvi-los, nos resta imaginar. Gastone aprendeu a cantar La Montanara com o pai, que tivera como companhia aquela música durante seus anos de combate na Primeira Guerra Mundial. Os soldados entoavam aquela canção para se aquecer e ganhar forças. A emoção de cantar em grupo ajudava a encarar o medo da morte e aceitar que sacrifícios seriam necessários em nome de suas famílias. Cantava-se para viver e para sobreviver, por dentro e por fora.

Tio Gastone cantava para mim na hora de dormir, mas eu muitas vezes preferia cantar junto em vez de me entregar ao sono. O treino informal de quase todos os dias deu afinação ao timbre de criança e fez com que eu me tornasse a segunda voz de um dueto que muitas vezes seguia por mais quatro ou cinco músicas antes de o sono vencer.

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[BLOG] Como preservar fotos impressas

4 cuidados essenciais para garantir que as fotos não se deteriorem com o tempo

Sempre gostei de olhar os álbuns de fotos antigas da minha família. Aquelas pessoas em preto e branco — mulheres sempre de saia e homens de chapéu — pareciam ser de um outro mundo, mas não: eram meus pais e avós quando tinham a minha idade.

Depois de um tempo olhando para aquelas pessoas tão diferentes, começava a enxergar nossas semelhanças: aquele sorriso era mesmo o da minha vó — ainda hoje, tanto anos depois —, o rosto daquela criança pequena lembrava mesmo meu pai, o olhar daquela moça bonita era o da minha mãe… E aí começava a me ver também nos traços daquelas pessoas.

“De tudo fica um pouco”, como escreveu Drummond sobre retratos e memórias de família. “Fica um pouco do teu queixo no queixo da tua filha.” Perceber essas pequenas ou grandes heranças era como desvendar um mistério guardado pelo tempo.

Mas será que essas fotos, que podem nos revelar tanto sobre outros tempos e nossas origens, estão armazenadas de forma adequada? Ou, por descuido e desconhecimento, estaríamos encurtando sua vida útil?

Para nos ajudar a preservar fotografias impressas (antigas ou recentes), conversamos com Júlio Prado, impressor fine art da Papel Algodão, estúdio de impressão certificado que atende galerias, artistas e fotógrafos profissionais e amadores.

Confira as principais dicas dele: 

Limpeza
Júlio explica que não é recomendado utilizar nenhum produto abrasivo nas imagens e que qualquer substância que não seja de PH neutro pode danificar as fotos. “Existem alguns produtos e papéis importados que podem ser utilizados para este fim. Os produtos se chamam PEC Pad e PEC-12 e podem ser encontrados na Casa do restaurador”, recomenda.

Armazenamento
“O ideal é armazenar as fotos impressas em caixas ou em álbuns de material neutro, se possível separadas por papel glassine”, diz Júlio. Antigamente, ele explica, alguns álbuns possuíam folhas de separação ou proteção feitas de um material plástico que não era neutro. Por isso, essas folhas amarelavam com o tempo e transferiam acidez para as fotos, que também se deterioravam. Hoje, porém, existem álbuns com folhas de papel glassine neutro que funcionam como separadores e protetores das fotos.

Cuidados com o porta-retrato
“O maior inimigo das fotos é a própria luz”, alerta o impressor. Por isso, porta-retratos não devem receber luz solar diretamente. Ele também recomenda evitar porta-retratos com fundo de um material conhecido como eucatex, que é ácido.

Restauração de fotos deterioradas
Se as fotos já foram danificadas, Júlio indica usar os produtos PEC pad e PEC-12 para limpá-las e neutralizar parte do efeito sofrido. “O ideal é mantê-las em uma caixa de PH neutro e no escuro”.

Além disso, ele sugere que as fotos sejam digitalizadas (veja como cuidar das fotos digitais) e os arquivos, então, restaurados em softwares de edição de imagens. Depois, é possível fazer uma nova impressão em papel de algodão ou alfa celulose. Lembrando que essas cópias também devem ser mantidas ao abrigo da luz.

Outra opção é imprimir as imagens em um livro que pode ser distribuído para os familiares e trazer, além de fotos e informações sobre datas e lugares, detalhes sobre a trajetória de sua família.

As memórias de seus avós e seus pais, lembranças de viagens, momentos marcantes entre amigos, histórias de amor… Tudo isso pode ser transformado em livro. Não sabe por onde começar? Entre em contato conosco! A Daria um Livro escreve e edita suas histórias, ajudando você a preservar memórias.

[Marina Almeida]

[BLOG] 4 dicas para editar e organizar suas fotos digitais

Relembrar momentos alegres é uma das formas mais simples de combater sentimentos de solidão e tristeza. Segundo pesquisas, um dos sintomas da depressão é justamente esquecer situações felizes. Assim, hábitos como rever fotos antigas podem ajudar a refrescar a memória e, de quebra, liberar hormônios que elevam nosso bem-estar.

Com a popularização das fotos digitais, tiramos muito mais fotos do que antes, o que gera um volume enorme de imagens (e memória utilizada). Assim, o que era para ser uma atividade gratificante pode se tornar uma tarefa cansativa. Para que isso não aconteça, veja a seguir dicas de profissionais de fotografia sobre como selecionar, arquivar e editar essas imagens.

Seleção das imagens
Um dos primeiros passos para a organização dos arquivos é fazer uma seleção das melhores imagens. “Escolha as fotos que realmente importam e descarte o que é redundante ou ruim. Arquive somente o melhor de uma produção de fotos”, recomenda o fotógrafo Marcelo Scandaroli, especializado em arquitetura e indústria.

Além disso, a escolha das melhores fotos vai garantir um uso mais inteligente da memória, seja em um HD externo ou na nuvem, ressalta Marcelo Andrade, que é fotógrafo especializado em publicidade e moda, além de ministrar cursos e oficinas de fotografia. “Quando você decidir rever o material, aproveitará melhor o tempo.”

Organização do arquivo
Nesse processo de organização, criar um banco de imagens e ter um padrão para nomear as pastas também pode ajudar muito a encontrar as imagens rapidamente no futuro. Scandaroli recomenda que as pastas sejam nomeadas primeiro pela data e depois pelo assunto das fotos ali contidas. Assim, ao encontrarmos, por exemplo, a pasta “5-12-2016 Aniversário da Bia”, saberemos de antemão o conteúdo daquela pasta e a data em que as fotos foram tiradas, sem risco de confundir com imagens de aniversários anteriores.

Edição e correção das imagens
Também pode ser interessante fazer pequenas correções em suas imagens antes de arquivá-las, como aumentar o brilho para destacar uma fotografia tirada num ambiente escuro.

“Recomendo o programa Lightroom para qualquer entusiasta ou profissional da fotografia. Ele ajuda a editar, organizar, corrigir, salvar em formatos de arquivos universais e fazer o backup de todo o material de modo racional e organizado”, aponta Scandaroli.

Também existem opções de programas gratuitos de edição, como o PhotoScape e o Gimp. Para editar diretamente no celular, uma boa opção gratuita é o Snapseed, aplicativo disponível para iPhone e Android.

Qualidade das fotos
Em tempos de fotos digitais, muitas vezes feitas com o celular, a resolução das imagens ainda é importante? Vale a pena ocupar mais espaço na memória da câmera com fotos maiores?

A resolução, explica Andrade, está diretamente relacionada à sua visualização. Para um monitor eletrônico, uma resolução mínima de 100 DPIs já garantirá uma excelente imagem. Para impressão, o tamanho da foto precisa ser maior, mas com cerca de 150 DPIs já será possível imprimir a imagem com boa qualidade.

Sabia que DPI é a sigla para dots per inch? Saiba mais.

No caso de fotos para uso profissional, como divulgação de serviços ou pesquisa, devemos redobrar os cuidados com a resolução.

“Sempre utilizo a maior e melhor qualidade que a câmera pode produzir. A razão é simples: se precisar fazer uma impressão gigante, já terei a imagem com qualidade suficiente para isso”, explica Scandaroli. Para salvar fotos que poderão ser acessadas muitos anos depois, ele recomenda o uso do DNG (Digital Negative), um arquivo universal que pode ser compactado sem perda de qualidade.

Conheça o trabalho dos fotógrafos entrevistados:

Marcelo Scandaroli: http://scandaroli.46graus.com e https://www.instagram.com/scandaroli/

Marcelo Andrade: www.marceloandrade.com.br

[Marina Almeida]


Você tem uma história que gostaria de transformar em livro? Receba em seu e-mail informações sobre nossos preços e pacotes:

[BLOG] Como preservar fotos: a importância do backup

Se sua casa estivesse pegando fogo, sua família e seus animais já estivessem em segurança e você pudesse salvar apenas um objeto, o que seria? Não sei por que motivo estranho, mas às vezes eu me faço essa pergunta. E minha resposta é sempre a mesma: eu salvaria minhas fotos e as fotos de família.

Documentos a gente refaz, roupas e livros dá para comprar de novo, mas esses registros de quem éramos – lembranças da infância ou de uma viagem que se apagariam muito mais facilmente sem o registro – e de quem nossos pais e avós foram, como se vestiam, se portavam e seus traços que ainda podemos reconhecer em nós, não têm preço, nem volta.

Apesar disso, a verdade é que posso perder várias de minhas fotos sem precisar passar por uma situação tão dramática: se, por exemplo, o computador tiver um problema de repente, se o CD parar de funcionar sem aviso ou mesmo se eu deletar as imagens sem querer por uma confusão qualquer. A falta de um backup adequado para as fotos digitais – ou de armazenamento correto para as fotos impressas – pode pôr tudo a perder rapidamente.

Para evitar que o pior aconteça, entrevistei dois fotógrafos profissionais que deram dicas sobre como organizar e preservar suas fotos digitais (em posts futuros também trarei dicas sobre fotos impressas).

Não deixe o backup para depois
Se for seguir só uma das nossas dicas, escolha essa: faça backup ou , em bom português, uma cópia de segurança. “Quando você tem apenas uma cópia, não tem nenhuma! Um trabalho, uma viagem, momentos únicos podem ser perdidos por falta de backup”, diz o fotógrafo Marcelo Scandaroli, especializado em arquitetura e indústria. Sua recomendação é que um primeiro backup seja feito antes mesmo da seleção e da edição das imagens, para evitar problemas durante esse processo.

Scandaroli também recomenda o uso de ao menos duas mídias diferentes para salvar as imagens. “Um HD pode pifar, um DVD para estragar, pode dar um problema totalmente inesperado na nuvem. Não confie em apenas uma mídia para backup.”

Marcelo Andrade, professor e fotógrafo especializado em publicidade, concorda. “No geral, o que aconselho a todos é ter dois HDs externos e fazer o backup em ambos. Esses HDs devem ficar em locais diferentes também, por questão de segurança”, explica. Dependendo do volume de imagens, ele aponta que o backup em nuvem, em programas como iCloud e OneDrive, pode ser uma boa opção, mas ressalta que nesses casos há risco de invasão e perda de privacidade das imagens.

Atualização
O backup deve ser atualizado sempre que novas imagens forem feitas, já que a demora em fazer a cópia de segurança dos arquivos pode pôr tudo a perder. Além disso, conferir se as fotos foram descarregadas antes de apagá-las do cartão de memória também é essencial.

Alguns programas podem fazer um backup automático dos arquivos salvos no computador, evitando que esquecimentos atrapalhem a segurança das imagens. Scandaroli usa o TimeMachine, disponível para computadores MAC, que faz cópias constantes e automáticas dos arquivos. Existem programas parecidos para Windows e outros sistemas operacionais – se você estiver em busca de um, esta lista pode ajudar.

[No próximo post, falaremos sobre qualidade e resolução das imagens 😉 ]

Conheça o trabalho dos fotógrafos entrevistados:

Marcelo Scandaroli: http://scandaroli.46graus.com e https://www.instagram.com/scandaroli/

Marcelo Andrade: www.marceloandrade.com.br

[Marina Almeida]

 


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As histórias de seus pais e avós

“Dona Cida tem memórias detalhadas sobre o momento em que a família se reuniu para fazer aquela foto. O dia começou cedo para ela: acordou as crianças às seis e meia para o banho. A roupa de cada uma delas já estava separada desde a noite anterior: um conjuntinho de bermuda e camisa branca para o filho mais velho; uma jardineira com camiseta azul para o mais novo. Às oito, irmãos, filhos, pais e avós deveriam estar a postos na porta do estúdio fotográfico, o único da cidade.”

Quem são aquelas pessoas na fotografia em preto e branco? Onde estavam e o que faziam? Quais são as lembranças mais antigas dos seus pais? Onde seus avós cresceram? Do que brincavam? Quais suas maiores lições?

Tudo isso cabe em um livro — das viagens e mudanças em família aos causos de interior. Nossa proposta é ouvir e gravar essas histórias com cuidado, para em seguida transcrevê-las e costurá-las em um texto que vá além da mera descrição de acontecimentos. Procuramos também registrar ali a identidade de quem conta a história: detalhes de sua fala, palavras favoritas, gestos e emoções.


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