Leia trechos de ‘Do outro lado do Atlântico’

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Entre trincheiras

No escuro das frias trincheiras dos alpes italianos, após um dia de combates, numa noite quem sabe de que medos e dores feita, imagino meu pai, um jovem soldado pensando na família e na mulher cuidando de tudo sozinha desde que ele fora convocado para servir o exército italiano. Ele devia se afligir sem saber o que se passava conosco, se teríamos escapado aos bombardeios, se estaríamos passando quais necessidades…

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Na Segunda Guerra Mundial (1940-1945), escapar da morte é a tarefa de dia e noite. Mas, quando cai a luz do sol e os combates diminuem, é a hora da saudade de casa e da incerteza da guerra. Lavinio, meu pai, trabalhava memórias e saudades com as mãos. Esculpia sonhos e mensagens em sua mente, imaginando um dia registrá-las. Como? Onde? Na gaveta de alumínio onde era servida sua comida. Eu, Franco, seu filho primogênito, ainda era um bebê – nasci seis meses antes do início da guerra –, e o pai não sabia se voltaria para me ver crescer. (…)

Um tesouro que guardo com muito cuidado. As mensagens se combinam com ilustrações de traço fino e perspectiva perfeita. Contra a dureza da guerra, a leveza e a precisão das mãos de artista. Não era só à noite que era preciso ocupar a cabeça. Às vezes o trabalho podia ser também durante o dia. Quando os bombardeios eram muitos e todos precisavam se esconder enquanto o mundo explodia acima de suas cabeças, entalhar a vida e a saudade era a sua forma de não enlouquecer. Quem sabe pelo que passava quando fez cada um desses desenhos, inscreveu os nomes da família, suas dedicatórias e pensamentos.

***

 

Quando a guerra acaba…

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Finda a guerra, era hora de reconstruir cidades e famílias. Os escombros podiam ser reerguidos, mas e as pessoas que ficaram pelo caminho? O pai voltou para casa, mas seu cunhado, Enzo, que também tinha sido convocado, não. Ele foi dado como morto, embora seu corpo nunca tivesse sido encontrado.

Dois anos já haviam se passado quando, um dia, chegaram da rua gritando pela avó:

— Albina, Albina!

— Calma, o que foi?

— O Enzo! O Enzo! Não sei se é… está muito magro! Está vindo aí!

Ela correu o máximo que aguentava em seu vestido negro de luto até os pés, avental branco por cima. Ao se aproximar do homem que chegava, ela perdeu o fôlego e diminuiu o passo, embora tivesse os olhos sempre fixos nele. Ele foi chegando mais e mais perto…

— Enzo!

A voz embarga e os olhos se enchem de lágrimas – os da nonna Albina e os meus, ao relembrar a história. Ele estava um esqueleto ambulante, mas ali só uma coisa importava: ele estava vivo! O filho perdido na guerra voltara para casa.

Tio Enzo havia sido enviado para combater no front russo, mas a chegada do inverno deixou os soldados italianos totalmente desguarnecidos. Ele foi preso pelo exército inimigo e quase morreu fuzilado.

Estava prestes a ser morto por um soldado quando um oficial russo se colocou entre eles com seu cavalo.

— Deixa o rapaz ir embora! Acaba com essa história…

Enzo deu o nome daquele oficial russo, Ivan, a um de seus filhos, como homenagem àquele que salvara sua vida. Havia homens de boa índole também do lado de lá das trincheiras…

***

 

Rumo ao Brasil

Para nós, crianças, a viagem de navio era uma aventura com destino a um mundo desconhecido. Tentava imaginar como seria o Brasil, principalmente as pessoas que habitavam aquele país recente: feições diferentes, outras tonalidades de pele, outros cheiros e cores. Antes de deixar a Itália, o navio fez uma parada em Nápoles, para o embarque de mais passageiros e carga e, através de Gibraltar, passamos do Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. Nenhum dragão, nem monstros marinhos. Sol, bom oceano, com ondas mais alongadas e tranquilas. (…)

Dias antes de nos aproximarmos do Equador, a tripulação do navio começou a preparar uma festa em comemoração à passagem pela fronteira entre os hemisférios norte e sul. As mentes infantis imaginavam como seria aquele momento especial de travessia. Como faz? Passa por baixo? Haveria um risco no céu? O oceano mudaria de cor? A festa no navio era simples, mas divertida e com boa comida. Houve um concurso para premiar aquele que fosse capaz de comer a maior quantidade de macarrão à bolonhesa em menor tempo. Gritos e palmas acompanhavam os grandes comedores em sua luta, sem talheres, com a massa e o molho. Entre homens grandes e gordos, um genovês alto e magro – magro como uma caneta! – começou a chamar atenção: sugava com rapidez e barulho porções imensas de espaguete.

Terminou a montanha do primeiro prato e pediu logo o segundo, enquanto seus adversários desistiam um a um:

— Bota outro aí! — ele gritou mais de uma vez, com os braços para cima e feliz da vida.

E logo fez a comida do segundo prato desaparecer. O navio inteiro ficou alucinado com o feito do genovês esguio! A música e a dança seguiram noite adentro, em meio a risos e homenagens.

Eu tinha apenas 12 anos, mas já conhecia bem a guerra para imaginar que aquele homem provavelmente sofrera muito com a fome durante os anos de escassez. Mesmo com o balançar do oceano e da dança, o genovês não passou mal com o estômago tão cheio.

Aquelas porções imensas de comida e o baile que veio depois talvez festejassem, na verdade, a promessa de fartura em terras distantes.

***

 

Música para viver

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Meados da década de 1940. Na cozinha de uma casa simples de Padova, uma família se reúne para o jantar. Nos pratos, pouca comida, mas o suficiente para resistir aos tempos difíceis e esperar pelo retorno daqueles que travam as batalhas da Segunda Guerra Mundial. Quando todos terminam de comer, tio Gastone – ainda muito jovem para o front – quebra o silêncio com os primeiros versos de La Montanara. Aos poucos, todos se unem e cantam juntos aquela canção sobre amor no alto das montanhas.

A montanara é a jovem das montanhas e também o cântico dos que se esforçam nas subidas em terreno íngreme e gelado. A música marcava o ritmo de caminhada dos povos dos Alpes, soando como um espetacular coral de anjos. Hoje, se não podemos ouvi-los, nos resta imaginar. Gastone aprendeu a cantar La Montanara com o pai, que tivera como companhia aquela música durante seus anos de combate na Primeira Guerra Mundial. Os soldados entoavam aquela canção para se aquecer e ganhar forças. A emoção de cantar em grupo ajudava a encarar o medo da morte e aceitar que sacrifícios seriam necessários em nome de suas famílias. Cantava-se para viver e para sobreviver, por dentro e por fora.

Tio Gastone cantava para mim na hora de dormir, mas eu muitas vezes preferia cantar junto em vez de me entregar ao sono. O treino informal de quase todos os dias deu afinação ao timbre de criança e fez com que eu me tornasse a segunda voz de um dueto que muitas vezes seguia por mais quatro ou cinco músicas antes de o sono vencer.

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Conheça outros livros nossos

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Documentos de família revelam história secreta

O remanescente (Cia. das Letras) é uma história de perda e de reinvenção de si. É também a história de um neto que, ao vasculhar as gavetas dos avós, descobre fotografias, cartas e documentos que revelam a trajetória de sua família. O mergulho na vida de seus antepassados, dessas pessoas com quem conviveu, mas que até então não tinha sido capaz de compreender, deu origem ao livro em que Rafael Cardoso conta suas descobertas.

Seus avós, um alemão e uma judia, chegaram ao Brasil fugindo do holocausto e da perseguição nazista. O país, no auge do Estado Novo, ainda flertava com os alemães, e por isso seus avós se protegeram sob uma nova identidade. O autor lembra que os avós nunca falavam sobre assuntos de guerra e exílio: “talvez porque não quisessem repassar os traumas para os netos. Talvez porque nunca os tivessem superado”. Foi só aos 16 anos que Rafael descobriu que tinha ascendência alemã e judia, e só muitos anos depois ele resolveu pesquisar essa história a fundo.

Nesse mergulho, o autor chegou à história de seu bisavô, Hugo Simon, que foi banqueiro e ministro de Finanças da Prússia, socialista, mecenas e colecionador de arte. Pacifista, junto com seu amigo Albert Einstein, ele fundou um movimento que deu origem à liga alemã pelos direitos humanos. Uma história só recuperada agora, quase 80 anos depois.

Você conhece as histórias de sua família? Quais os segredos guardados pela trajetória de seus pais e avós que podem estar se perdendo com o tempo? Registrar essas histórias em livros pode revelar muitas surpresas e garantir que esse legado chegue às futuras gerações. Não sabe por onde começar? Entre em contato conosco! A Daria um Livro escreve e edita suas histórias, ajudando a preservar suas memórias.

[Marina Almeida]

[BLOG] Fotografar ajuda ou prejudica nossa memória?

Nunca tivemos nossas experiências tão mediadas por telas como nos dias de hoje. Em locais turísticos, shows, museus, diante de um prato de comida visivelmente apetitoso… Lá está a câmera do celular apontando para as coisas do mundo. Será que, na ansiedade de registrar o momento em bits e pixels, estamos esquecendo de viver? Perdemos contato com a realidade? Estamos deixando nossos cérebros preguiçosos e transferindo o papel de memorizar para os arquivos digitais?

Embora tirar momentos para se “desintoxicar” da vida digital e enxergar as coisas apenas com os próprios olhos possa ser mesmo uma boa ideia, talvez nossa situação não seja assim tão desesperadora. A fotografia, afinal, não é uma vilã: pesquisas recentes apontam que o ato de fotografar nos ajuda a recordar com mais eficiência dos aspectos visuais de um determinado momento — mesmo que nunca mais olhemos de novo para a foto.

Muitas dessas pesquisas são feitas em museus, buscando comparar as recordações mentais de dois grupos: pessoas orientadas a fotografar os objetos e pessoas orientadas a não tirar fotos. Nos estudos mais recentes, aquelas que fotografaram — sobretudo se tivessem usado o recurso de zoom para capturar detalhes — conseguiram reconhecer mais objetos do que o outro grupo. Por outro lado, aqueles que fotografaram também tiveram desempenho pior ao tentar recordar as explicações em áudio sobre as obras.

Efeito back-up?
Pesquisas realizadas nos anos 1960 apontavam para um fenômeno chamado “cognitive offloading” (“descarga cognitiva”), uma espécie de esquecimento intencional: como nosso cérebro sabe que pode contar com outros dispositivos para se lembrar de objetos e afazeres, ele economizaria esforços e deixaria de memorizar essas coisas. Faz sentido, principalmente se pensarmos em recursos como listas de compras e receitas.

A hipótese atual, contudo, é que o comportamento do cérebro dependeria, na verdade, da nossa intenção ao realizar determinado registro num suporte externo (papel, galeria do celular etc.). Se escrevemos um aviso no papel simplesmente para tirá-lo da nossa cabeça e reduzirmos nossa preocupação, o cérebro “relaxa” e abre mão daquela memória. Mas, se o que queremos é guardar o registro de algo que foi significativo para nós, essa motivação pode nos ajudar a olhar com mais atenção para os detalhes ao fotografar — e, consequentemente, produzir recordações mentais mais ricas.

(Adaptado de How Taking Photos Affects Your Memory of the Moment Later On – Nymag.com)

Você tem fotografias que são muito importantes para você? Guarda imagens antigas da família, registros de viagem, fotos dos filhos quando pequenos? A Daria um Livro pode ajudar você a reunir todas essas imagens num livro, acompanhadas de textos produzidos com muito cuidado. Conheça nosso trabalho e entre em contato conosco.

[FLÁVIA SIQUEIRA]

Leia também:

Por que nos esquecemos?

4 dicas para editar e organizar suas fotos digitais

Como preservar fotos impressas

Do que é feita a memória?

 

Império Kalunga: cortejo de tradição e fé

Papel colorido e flores pra enfeitar a praça em frente à capela da Vila de São Jorge. A mesa de bolos já está pronta e os músicos se aquecem enquanto o povo vai chegando. O Império, do povo Kalunga, vai começar no Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros. É uma festa tradicional da comunidade quilombola de Vão de Almas, no Sítio Histórico Kalunga (GO), em honra ao Divino Espírito Santo.

Os Kalungas todos já aguardam. Vêm arrumados para a festa, que dia de santo é dia de tirar a gravata do armário, a melhor camisa. Chapéu de palha para arrematar, mas a turma mais nova só quer é saber de boné. Faz mal não, o importante é proteger a cabeça, fazer a homenagem e não atrasar o compasso do pandeiro. Também saem de casa os brincos e as pulseiras. E os laços de fita amarrando as tranças dos cachos.

No cantinho, enquanto não começa o cortejo, dá tempo de chupar uma laranja, mas come com pressa, não pode perder a saída. Os músicos aceleram, viola, sanfona, pandeiro, triângulo e atabaque. Um pé que bate daqui, outro dali… Os turistas estão chegando, vai começar.

Bandeira e espada se apresentam. Cada uma na sua vez e com sua dança – esgrima no ar, movimentos e giros e voltas. “É uma comparação, mostrando a tradição. Ele me mostra a dele, e eu mostro a minha. Isso é de muito tempo que eles fazem”, me explica no final da festa o seu Santana dos Santos Rosa, nome de nascido no dia da mãe de Nossa Senhora. Sua apresentação da espada é tradição antiga. “Eu via os mais velhos e disse: uai, vou aprender a fazer isso. Tinha um velho que fazia e peguei entendimento de fazer. Prestando atenção faz bem, né? Igual ele, aprendeu com os criador dele, né, Antero?”, e o colega da dança da bandeira concorda.

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Pelas ruas

O cortejo sai. Protegido por um quadro feito de varas coloridas, lá vai seu Santana com a espada, seu Antero com a bandeira do Divino. Vão também o rei e os anjos. E mais a avó para segurar as asas, “que o anjo é pequeno e não vá deixar cair as asas”. Anda muito compenetrado em sua função e só aperta com força de susto os olhos quando soltam fogos – às vezes os anjos também dão de ter medo. Já a anjinha no colo mal ainda sabe andar, mas de nada se assusta, vai toda grande de olhos, curiosidade.

O rei vai firme em sua coroa de flores, não abaixa a cabeça, não tropeça, não perde o passo. Óculos escuros para não franzir o rosto com o sol que já quer se pôr. Coisas de realeza. Na tradição Kalunga, a cada ano um rei é escolhido e seu trabalho é organizar toda a festa. Sorriso mesmo só em quem segura o bastão, que às vezes é difícil segurar o orgulho num momento assim.

Segue o povo, não para a música e quando a rua é de aperto, eles fazem do quadro losango, que esse é povo de adaptação. Seu Santana fala o porquê da separação: “Vamos ali dentro do quadro, que se não for é muita gente e separa os cabeceiras. Ali só o líder, o rei, os anjos…”. Na volta para a praça tem mais apresentação de espada e de bandeira. Os tocadores param e a voz das mulheres assume na capela. Agudas, tremendo pedidos ao Divino e ao nosso Senhor. Mas não se enganem, que o trabalho delas começou bem antes, nas flores, nos enfeites de papel, da coroa do rei e dos anjos. “Antes era flor do campo porque nem tinha papel lá, pelos anos 60, agora nós faz assim. Comecei a fazer essas flores com uns nove pra dez anos, era mais destacada e começaram a sempre me chamar para ajudar. Fui professora e agora todos já sabem fazer”, fala dona Dainda, que desde a véspera ajudava as mulheres a preparar todos os enfeites.

Na capela

Dona Procópia já não tem pernas para o cortejo, mas é o povo chegar que ela sai se apoiando na bengala para alcançar a capela. Logo já está bem na frente, lenço colorido enrolado na cabeça puxando o canto. A voz é fininha, mas, ai, que a fé é das largas. Olhos fixos no pequeno altar, tem sempre outra música pra não parar tão cedo as rezas. Só não peçam pra benzer. “Quando que eu sei benzer? Reza de rezar no altar pra defender todo mundo, pode me chamar que eu tô pronta. Mas benzimento? Isso não é comigo, não, uai”.

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Texto escrito originalmente para o Encontro de culturas

Fotos: Ana Caroline de Lima (Antropologia visual)

[Marina Almeida]

[BLOG] Como preservar fotos impressas

4 cuidados essenciais para garantir que as fotos não se deteriorem com o tempo

Sempre gostei de olhar os álbuns de fotos antigas da minha família. Aquelas pessoas em preto e branco — mulheres sempre de saia e homens de chapéu — pareciam ser de um outro mundo, mas não: eram meus pais e avós quando tinham a minha idade.

Depois de um tempo olhando para aquelas pessoas tão diferentes, começava a enxergar nossas semelhanças: aquele sorriso era mesmo o da minha vó — ainda hoje, tanto anos depois —, o rosto daquela criança pequena lembrava mesmo meu pai, o olhar daquela moça bonita era o da minha mãe… E aí começava a me ver também nos traços daquelas pessoas.

“De tudo fica um pouco”, como escreveu Drummond sobre retratos e memórias de família. “Fica um pouco do teu queixo no queixo da tua filha.” Perceber essas pequenas ou grandes heranças era como desvendar um mistério guardado pelo tempo.

Mas será que essas fotos, que podem nos revelar tanto sobre outros tempos e nossas origens, estão armazenadas de forma adequada? Ou, por descuido e desconhecimento, estaríamos encurtando sua vida útil?

Para nos ajudar a preservar fotografias impressas (antigas ou recentes), conversamos com Júlio Prado, impressor fine art da Papel Algodão, estúdio de impressão certificado que atende galerias, artistas e fotógrafos profissionais e amadores.

Confira as principais dicas dele: 

Limpeza
Júlio explica que não é recomendado utilizar nenhum produto abrasivo nas imagens e que qualquer substância que não seja de PH neutro pode danificar as fotos. “Existem alguns produtos e papéis importados que podem ser utilizados para este fim. Os produtos se chamam PEC Pad e PEC-12 e podem ser encontrados na Casa do restaurador”, recomenda.

Armazenamento
“O ideal é armazenar as fotos impressas em caixas ou em álbuns de material neutro, se possível separadas por papel glassine”, diz Júlio. Antigamente, ele explica, alguns álbuns possuíam folhas de separação ou proteção feitas de um material plástico que não era neutro. Por isso, essas folhas amarelavam com o tempo e transferiam acidez para as fotos, que também se deterioravam. Hoje, porém, existem álbuns com folhas de papel glassine neutro que funcionam como separadores e protetores das fotos.

Cuidados com o porta-retrato
“O maior inimigo das fotos é a própria luz”, alerta o impressor. Por isso, porta-retratos não devem receber luz solar diretamente. Ele também recomenda evitar porta-retratos com fundo de um material conhecido como eucatex, que é ácido.

Restauração de fotos deterioradas
Se as fotos já foram danificadas, Júlio indica usar os produtos PEC pad e PEC-12 para limpá-las e neutralizar parte do efeito sofrido. “O ideal é mantê-las em uma caixa de PH neutro e no escuro”.

Além disso, ele sugere que as fotos sejam digitalizadas (veja como cuidar das fotos digitais) e os arquivos, então, restaurados em softwares de edição de imagens. Depois, é possível fazer uma nova impressão em papel de algodão ou alfa celulose. Lembrando que essas cópias também devem ser mantidas ao abrigo da luz.

Outra opção é imprimir as imagens em um livro que pode ser distribuído para os familiares e trazer, além de fotos e informações sobre datas e lugares, detalhes sobre a trajetória de sua família.

As memórias de seus avós e seus pais, lembranças de viagens, momentos marcantes entre amigos, histórias de amor… Tudo isso pode ser transformado em livro. Não sabe por onde começar? Entre em contato conosco! A Daria um Livro escreve e edita suas histórias, ajudando você a preservar memórias.

[Marina Almeida]

[BLOG] 4 dicas para editar e organizar suas fotos digitais

Relembrar momentos alegres é uma das formas mais simples de combater sentimentos de solidão e tristeza. Segundo pesquisas, um dos sintomas da depressão é justamente esquecer situações felizes. Assim, hábitos como rever fotos antigas podem ajudar a refrescar a memória e, de quebra, liberar hormônios que elevam nosso bem-estar.

Com a popularização das fotos digitais, tiramos muito mais fotos do que antes, o que gera um volume enorme de imagens (e memória utilizada). Assim, o que era para ser uma atividade gratificante pode se tornar uma tarefa cansativa. Para que isso não aconteça, veja a seguir dicas de profissionais de fotografia sobre como selecionar, arquivar e editar essas imagens.

Seleção das imagens
Um dos primeiros passos para a organização dos arquivos é fazer uma seleção das melhores imagens. “Escolha as fotos que realmente importam e descarte o que é redundante ou ruim. Arquive somente o melhor de uma produção de fotos”, recomenda o fotógrafo Marcelo Scandaroli, especializado em arquitetura e indústria.

Além disso, a escolha das melhores fotos vai garantir um uso mais inteligente da memória, seja em um HD externo ou na nuvem, ressalta Marcelo Andrade, que é fotógrafo especializado em publicidade e moda, além de ministrar cursos e oficinas de fotografia. “Quando você decidir rever o material, aproveitará melhor o tempo.”

Organização do arquivo
Nesse processo de organização, criar um banco de imagens e ter um padrão para nomear as pastas também pode ajudar muito a encontrar as imagens rapidamente no futuro. Scandaroli recomenda que as pastas sejam nomeadas primeiro pela data e depois pelo assunto das fotos ali contidas. Assim, ao encontrarmos, por exemplo, a pasta “5-12-2016 Aniversário da Bia”, saberemos de antemão o conteúdo daquela pasta e a data em que as fotos foram tiradas, sem risco de confundir com imagens de aniversários anteriores.

Edição e correção das imagens
Também pode ser interessante fazer pequenas correções em suas imagens antes de arquivá-las, como aumentar o brilho para destacar uma fotografia tirada num ambiente escuro.

“Recomendo o programa Lightroom para qualquer entusiasta ou profissional da fotografia. Ele ajuda a editar, organizar, corrigir, salvar em formatos de arquivos universais e fazer o backup de todo o material de modo racional e organizado”, aponta Scandaroli.

Também existem opções de programas gratuitos de edição, como o PhotoScape e o Gimp. Para editar diretamente no celular, uma boa opção gratuita é o Snapseed, aplicativo disponível para iPhone e Android.

Qualidade das fotos
Em tempos de fotos digitais, muitas vezes feitas com o celular, a resolução das imagens ainda é importante? Vale a pena ocupar mais espaço na memória da câmera com fotos maiores?

A resolução, explica Andrade, está diretamente relacionada à sua visualização. Para um monitor eletrônico, uma resolução mínima de 100 DPIs já garantirá uma excelente imagem. Para impressão, o tamanho da foto precisa ser maior, mas com cerca de 150 DPIs já será possível imprimir a imagem com boa qualidade.

Sabia que DPI é a sigla para dots per inch? Saiba mais.

No caso de fotos para uso profissional, como divulgação de serviços ou pesquisa, devemos redobrar os cuidados com a resolução.

“Sempre utilizo a maior e melhor qualidade que a câmera pode produzir. A razão é simples: se precisar fazer uma impressão gigante, já terei a imagem com qualidade suficiente para isso”, explica Scandaroli. Para salvar fotos que poderão ser acessadas muitos anos depois, ele recomenda o uso do DNG (Digital Negative), um arquivo universal que pode ser compactado sem perda de qualidade.

Conheça o trabalho dos fotógrafos entrevistados:

Marcelo Scandaroli: http://scandaroli.46graus.com e https://www.instagram.com/scandaroli/

Marcelo Andrade: www.marceloandrade.com.br

[Marina Almeida]


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[BLOG] Como preservar fotos: a importância do backup

Se sua casa estivesse pegando fogo, sua família e seus animais já estivessem em segurança e você pudesse salvar apenas um objeto, o que seria? Não sei por que motivo estranho, mas às vezes eu me faço essa pergunta. E minha resposta é sempre a mesma: eu salvaria minhas fotos e as fotos de família.

Documentos a gente refaz, roupas e livros dá para comprar de novo, mas esses registros de quem éramos – lembranças da infância ou de uma viagem que se apagariam muito mais facilmente sem o registro – e de quem nossos pais e avós foram, como se vestiam, se portavam e seus traços que ainda podemos reconhecer em nós, não têm preço, nem volta.

Apesar disso, a verdade é que posso perder várias de minhas fotos sem precisar passar por uma situação tão dramática: se, por exemplo, o computador tiver um problema de repente, se o CD parar de funcionar sem aviso ou mesmo se eu deletar as imagens sem querer por uma confusão qualquer. A falta de um backup adequado para as fotos digitais – ou de armazenamento correto para as fotos impressas – pode pôr tudo a perder rapidamente.

Para evitar que o pior aconteça, entrevistei dois fotógrafos profissionais que deram dicas sobre como organizar e preservar suas fotos digitais (em posts futuros também trarei dicas sobre fotos impressas).

Não deixe o backup para depois
Se for seguir só uma das nossas dicas, escolha essa: faça backup ou , em bom português, uma cópia de segurança. “Quando você tem apenas uma cópia, não tem nenhuma! Um trabalho, uma viagem, momentos únicos podem ser perdidos por falta de backup”, diz o fotógrafo Marcelo Scandaroli, especializado em arquitetura e indústria. Sua recomendação é que um primeiro backup seja feito antes mesmo da seleção e da edição das imagens, para evitar problemas durante esse processo.

Scandaroli também recomenda o uso de ao menos duas mídias diferentes para salvar as imagens. “Um HD pode pifar, um DVD para estragar, pode dar um problema totalmente inesperado na nuvem. Não confie em apenas uma mídia para backup.”

Marcelo Andrade, professor e fotógrafo especializado em publicidade, concorda. “No geral, o que aconselho a todos é ter dois HDs externos e fazer o backup em ambos. Esses HDs devem ficar em locais diferentes também, por questão de segurança”, explica. Dependendo do volume de imagens, ele aponta que o backup em nuvem, em programas como iCloud e OneDrive, pode ser uma boa opção, mas ressalta que nesses casos há risco de invasão e perda de privacidade das imagens.

Atualização
O backup deve ser atualizado sempre que novas imagens forem feitas, já que a demora em fazer a cópia de segurança dos arquivos pode pôr tudo a perder. Além disso, conferir se as fotos foram descarregadas antes de apagá-las do cartão de memória também é essencial.

Alguns programas podem fazer um backup automático dos arquivos salvos no computador, evitando que esquecimentos atrapalhem a segurança das imagens. Scandaroli usa o TimeMachine, disponível para computadores MAC, que faz cópias constantes e automáticas dos arquivos. Existem programas parecidos para Windows e outros sistemas operacionais – se você estiver em busca de um, esta lista pode ajudar.

[No próximo post, falaremos sobre qualidade e resolução das imagens 😉 ]

Conheça o trabalho dos fotógrafos entrevistados:

Marcelo Scandaroli: http://scandaroli.46graus.com e https://www.instagram.com/scandaroli/

Marcelo Andrade: www.marceloandrade.com.br

[Marina Almeida]

 


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[BLOG] Restauração fotográfica: em busca dos traços do passado

Abria novamente o álbum de fotos. Parava por algum tempo, mais uma vez, para admirar a mesma imagem: um casal e dois bebês. Rostos sérios, como costumam ser esses rostos do passado. Imagem desbotada, manchada, em papel rasgado. Para mim, era o retrato por excelência de tempos distantes.

Década de 20? De 10? Quem fotografou? O que estavam pensando? Que lugar era esse? Será que escolheram essas roupas especialmente para a foto? Que gavetas esse papel rasgado já conheceu?

Não sei por que demorei tanto tempo para perguntar aos meus avós quem eram aquelas pessoas. Só descobri recentemente: eram os pais do meu avô paterno – e aquela era a única imagem que tínhamos deles. Ele, Jerônimo; ela, Ana. Os bebês, os primeiros dois filhos do casal. Eram os anos de 1930.

Decidimos tentar um serviço de restauração fotográfica. Encontramos este: www.martafotos.com

Escaneamos a imagem em alta resolução, enviamos e recebemos a foto restaurada, pronta para ser impressa — até em tamanho maior do que a original! Achamos o trabalho muito bom. E pude perceber o quanto meu avô herdou da fisionomia da mãe…

Veja o antes e depois:

Veja a nova imagem ampliada (800kb).

[FLÁVIA SIQUEIRA]

Quer fazer seu livro conosco? Podemos ajudar também a orçar restauração de fotos. Entre em contato 🙂

[BLOG] Reorganizando fotos e histórias

— Nossa… Se eu sentasse e escrevesse tudo pelo que já passei… Foi tanta coisa!

Não era a primeira vez que eu ouvia minha avó dizer isso. E, agora, era a hora perfeita para colocar tudo no papel. Já havia trabalhado alguns anos como jornalista e estava começando a organizar, com a Marina Almeida, a ideia de abrir uma empresa de produção de livros personalizados.

— Vó, quer que a gente faça um livro com suas fotos e histórias?

— Ah, eu quero!

Como ela tinha acumulado muitas fotos (algumas do início do século 20), pensei em criar um livro organizado a partir delas. Quais fotos eram as mais significativas para ela? O que ela notava primeiro? Qual era a história daquela fotografia? Que lugar era aquele? Que ano era? Que roupa era aquela?

Mas é claro que havia muito mais além das fotos. Histórias que não tinham sido registradas em imagens: sustos com os filhos pequenos, brincadeiras de infância, o cansaço sem fim da vida de comerciante, o sumiço da cachorrinha Mel e sua volta para casa…

O resultado foi um livro que mescla textos longos sobre memórias (páginas de fundo branco) e observações sobre fotografias relacionadas aos períodos que coincidem com essas lembranças (páginas de fundo preto).

Para mim, foi uma incrível volta às histórias que minha vó contava, aos lugares de que ela falava, às fotos que eu costumava tirar dos armários para fuçar sempre que, quando criança, ia passar meu período de férias escolares na casa dela. Olhava aquelas fotos em preto e branco, perguntava quem eram aquelas pessoas e ela me explicava — só para eu esquecer e voltar, nas férias seguintes, a olhar as mesmas imagens e fazer as mesmas perguntas.

Gravar entrevistas com minha vó e depois transcrevê-las, digitalizar imagens, anotar informações sobre quem eram aquelas pessoas… Todo o processo me ajudou a organizar coisas que eu ouvia desde criança, mas que estavam bagunçadas na minha cabeça.

Então, o Barreirão — esse lugar de que ela tanto falava — foi onde ela passou os primeiros anos de infância… A adolescência foi em Osvaldo Cruz… Os nomes dos avós paternos eram Domingas e João, ambos portugueses. Os avós maternos eram Henrique e Carolina — ela, mineira; ele, também português. Domingas e João vieram de Funchal; Henrique, de Trás-os-Montes…

Na primeira entrevista, os nomes e lugares de origem ainda me confundiam. Montei uma árvore genealógica para não me perder e parar de repetir perguntas. Deu certo.

A maior parte das fotografias estava bem conservada. Gosto de pensar que devo agradecer, em parte, à súbita vontade que tive um dia, quando criança, de colar nos álbuns as fotos que antes estavam soltas. Isso provavelmente ajudou a evitar que elas se desbotassem. Claro que em meu trabalho/diversão de infância não havia organização nenhuma — de repente, em meio a fotos da década de 1980, aparecia uma imagem dos anos 30.

Eis que, agora, o livro existe! Antes de receber os exemplares impressos, cheguei a sonhar que tudo tinha dado errado. Que havia erros na capa, que a impressão estava ruim, que faltavam páginas… Mas nada disso aconteceu. A impressão está ótima, as cores estão vivas, nenhuma página falta.

Agora, o livro existe (leia trechos)! Olha… Ainda me impressiono com isso. (risos)

[FLÁVIA SIQUEIRA]

 

BLOG | Explorando os detalhes de uma fotografia

De tempos em tempos, chega a hora de tirar os álbuns do armário e trazê-los para a mesa. Junto com eles, vêm também algumas caixas de sapatos com fotografias antigas. É quase como um chamado: depois de meses (talvez anos), as imagens querem sua atenção novamente.

Uma fotografia nunca é vista da mesma forma duas vezes: o nosso olhar muda com o tempo. Podemos perceber hoje coisas que nem notávamos anos atrás — detalhes no fundo da imagem, por exemplo. Se a fotografia foi tirada em uma rua comercial, talvez seja possível visualizar os nomes das lojas. Será que elas ainda existem? A internet pode ajudar a descobrir.

Vale usar uma lupa, escanear a imagem ou tirar uma fotografia dela com uma boa câmera, que gere uma imagem de alta resolução. Dar zoom e passear pelos detalhes da foto é como uma pequena viagem no tempo.

Fizemos isso com uma foto da década de 1950 que está em um dos álbuns de Apparecida, protagonista de um livro (biografia) que estamos escrevendo (leia trechos desse livro aqui). Uma página será dedicada à imagem e alguns de seus detalhes:

detalhes_fotografia_antiga

Após algumas pesquisas na internet, descobrimos que o time juvenil de baseball da ADOC (Associação Desportiva de Osvaldo Cruz) foi campeão sul-americano em 1956.

[Flávia Siqueira]