Carl Sagan: livros quebram os grilhões do tempo

Uma das mais belas falas sobre o poder dos livros é de Carl Sagan (1934-1996). Em um dos episódios da série Cosmos, o cientista descreve de forma poética como um livro consegue quebrar a barreira do tempo:

“What an astonishing thing a book is. It’s a flat object made from a tree with flexible parts on which are imprinted lots of funny dark squiggles. But one glance at it and you’re inside the mind of another person, maybe somebody dead for thousands of years. Across the millennia, an author is speaking clearly and silently inside your head, directly to you. Writing is perhaps the greatest of human inventions, binding together people who never knew each other, citizens of distant epochs. Books break the shackles of time. A book is proof that humans are capable of working magic.”

Tradução:

“Que coisa extraordinária é um livro. Um objeto plano, produzido a partir de uma árvore, com camadas flexíveis nas quais são impressos vários traços e rabiscos. Mas basta um olhar e você se vê dentro da mente de outra pessoa, talvez alguém que tenha morrido há milhares de anos. Atravessando os milênios, aquele autor fala clara e silenciosamente dentro da sua cabeça, diretamente para você. A escrita é talvez a maior das invenções humanas, capaz de unir pessoas que nunca se conheceram, cidadãos de épocas distantes. Livros quebram os grilhões do tempo. Um livro é uma prova de que os humanos são capazes de fazer mágica. “

 


 

Transformamos sua história em livro. Saiba mais.

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[BLOG] Dia do escritor: por que escrever?

Hoje, 25 de julho, é o Dia Nacional do Escritor. A data foi instituída em 1960, pela União Brasileira de Escritores.

O processo de criação e escrita é tema frequente de entrevistas com escritores. Reunimos, a seguir, o que grandes nomes da literatura já disseram sobre a arte de organizar pensamentos em palavras escritas:

“Para mim, não existe diferença entre a literatura e a vida. A literatura foi o caminho que eu encontrei para enfrentar essa bela tarefa de viver.” (Ariano Suassuna)

“A gente escreve a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os demais, para denunciar o que dói e compartilhar o que dá alegria. A gente escreve contra a própria solidão e a dos outros.” (Eduardo Galeano)

“Escrevo para salvar a alma.” (Fernando Pessoa)

“Para que meus amigos me amem mais.” (Gabriel García Márquez)

“Escrevo contra a passagem natural do tempo. Jogo o passado na direção do presente para fazê-lo tropeçar.” (Günter Grass)

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer’. Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?” (José Saramago)

“No fundo, é uma coisa que não entendo: por que algumas pessoas têm necessidade de viver duas vezes? Uma vez quando vivem, e outra quando escrevem?” (Marguerite Duras)

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. É se fazer ver.” (Rachel de Queiroz)

[Fonte: Coletânea Por que escrevo?; José Domingos de Brito (org.)]

Na Daria um Livro, acreditamos que sua história é única e merece ser registrada; que o exercício de ouvir e contar histórias, tão simples, é capaz de transformar e dar sentidos às nossas vidas. Conheça nosso trabalho.
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Leia também:
Por que escrever nos ajuda a viver melhor
Do que é feita a memória?
A história de um livro (e o início de outros)

[BLOG] Por que escrever nos ajuda a viver melhor

Escrever para relembrar e registrar momentos felizes, para entender melhor episódios difíceis, para organizar os pensamentos… Você já pensou em ter um diário ou transformar em texto suas experiências e ideias?

Você não precisa ter um grande domínio da gramática ou dos recursos literários para começar a transformar em palavras seus pensamentos. Apenas escreva, sem regras: não precisa mostrar para ninguém se não quiser, não se pressione a acertar as vírgulas ou a grafia das palavras. Faça por você, para entender melhor seus mundos: o exterior e o interior.

Vamos a algumas razões para começar a escrever hoje mesmo. Pegue uma caneta e um caderno, crie um blog fechado ou aberto. Escrever faz bem porque…

… a escrita pode funcionar como uma terapia.

Existem estudos que comprovam a eficácia da escrita para reduzir os efeitos da ansiedade e da depressão. Colocar sentimentos e traumas em palavras é uma forma de enfrentá-los e digeri-los. Para algumas pessoas, pode ser um grande passo para tornar uma experiência pesada em algo suportável.

Ao escrever (e depois reler), você consegue se distanciar em certa medida da sua experiência. É quase como ver-se sob o olhar de outra pessoa.

Neste vídeo no Facebook, a psicóloga Nina Taboada fala sobre a importância da escrita de diários pessoais para combater a ansiedade. Uma mente ansiosa é uma mente acelerada. Ao escrevermos, precisamos reduzir a velocidade do pensamento e organizá-lo. Como resultado, conseguimos pensar melhor. Imagine, então, todo o efeito benéfico quando conseguimos fazer disso um hábito.

… a escrita nos ajuda a registrar (e reviver) bons momentos.

Já mencionamos neste post a importância de relembrar momentos felizes para a saúde mental. Guarde bem suas fotos de viagens, aniversários e festas. E que tal anexar a essas fotos alguns relatos seus sobre aquele dia ou ocasião? Piadas, histórias engraçadas, descrições sobre o ambiente e a comida… Coisas que provavelmente se perderiam caso dependessem apenas da nossa memória.

… a escrita pessoal, quando se torna um hábito, retrata nossas mudanças.

Ninguém entra em um mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez a pessoa já não será a mesma, assim como as águas já serão outras. Você provavelmente já ouviu ou leu essa frase por aí. É uma ideia do filósofo Heráclito de Éfeso, que nasceu por volta de 540 a.C.

O ato de reler seus textos colocará você em contato não apenas com experiências do passado, mas com a pessoa que você era ao escrevê-los. Preste atenção à escolha das palavras, ao ritmo da escrita, aos detalhes que destacava: o quanto daquilo mudou e o que permanece?

… a escrita de memórias é uma forma de nos apossarmos da nossa história.

Outra frase famosa: quem conta a História são os vencedores. Por mais “verdadeira” que seja uma narrativa sobre um acontecimento, há sempre outros lados, outras versões, outras leituras possíveis. Registrar sua história é apossar-se dela, é construir sua própria narrativa. É (por que não?) um ato de resistência.

[Flávia Siqueira]

Você tem alguma história que gostaria de transformar em livro? Caso você já tenha algum material escrito ou registrado, podemos ajudar você a organizar, revisar e imprimir. Se preferir, também podemos cuidar de todo o processo de produção: das entrevistas e pesquisas iniciais à publicação.

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