22 dicas e inspirações para escrever sobre sua infância

Algumas pessoas se lembram com clareza da própria infância. Outras têm mais dificuldade, talvez por estarem mergulhadas em preocupações da vida adulta.

Se você faz parte do segundo grupo, considere este convite: faça uma pausa, pegue caneta e papel, concentre-se. Busque uma memória de infância que costume vir com mais facilidade e mergulhe nela. Tente recordar sensações, pensamentos, lugares. Escreva livremente sobre tudo isso e perceba como outras lembranças virão em seguida.

Ao longo do nosso trabalho na Daria um Livro, percebemos que recordar é como puxar a linha de um novelo de lã. De história em história, de personagem em personagem, o emaranhado vai se soltando e compondo uma narrativa.

Dicas
No blog do site WriteShop, encontramos 22 perguntas e dicas que podem nos ajudar a escrever sobre nossas infâncias e reativar memórias adormecidas. Vamos a elas:

1. Pense nos seus amigos de infância. Liste seus nomes, características e brincadeiras favoritas.

2. Descreva suas memórias mais antigas. Quantos anos você tinha? Que imagens e sensações vêm à sua mente?

3. Você já tentou fugir de casa? Já se escondeu dos seus pais? Como foi?

4. Tente descrever a cozinha da sua avó ou da sua mãe. O que havia nela?

5. Descreva os lugares em que você morou quando criança – as casas, as ruas e vizinhanças.

6. Você tinha um quarto só seu ou dividia com irmãos? Como era?

7. Como você era quando criança? Tímido? Mandão? Sorridente? Você continua do mesmo jeito?

8. Que memórias você tem dos seus pais? Descreva algumas situações vividas com eles.

9. Escreva sobre alguma viagem que você fez quando criança. Estava de férias? Qual foi o destino?

10. Você gostava de se esconder em algum lugar?

11. Você ia à escola? Como eram seus colegas e professores?

12. Tente se lembrar de algo errado que você fez quando criança. Como foi? Como você se sentiu?

13. Você se machucou quando criança? Ficou doente? Conte como foi.

14. De que parentes você se lembra?

15. Como eram as datas comemorativas na sua casa, como Natal e Páscoa?

16. Sua família tinha algum hábito ou tradição? Descreva um ou dois deles.

17. Você teve contato com livros quando criança? Algum deles foi marcante?

18. Que jogos e brincadeiras você e seus irmãos ou primos faziam?

19. Qual era seu brinquedo favorito? Como ele era? Que sentimentos ele traz à sua mente?

20. Algum acontecimento assustou você quando criança? Procure descrevê-lo.

21. Que expressões você ouvia quando criança? Que conselhos recebeu? Você levou algum deles para sua vida adulta?

22. Quais são suas memórias mais felizes de infância? Tente descrevê-las.

Gostou das inspirações? Essa lista de perguntas também é bem útil se você pretende entrevistar familiares e registrar suas histórias de vida.

(Traduzido e adaptado de 22 writing prompts that jog childhood memories – Write Shop)

Se você está pensando em escrever um livro de memórias ou registrar a trajetória da sua família, a Daria um Livro pode ajudar a concretizar esse projeto. Saiba mais aqui.

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Escrever para relembrar e registrar momentos felizes, para entender melhor episódios difíceis, para organizar os pensamentos… Você já pensou em ter um diário ou transformar em texto suas experiências e ideias?

Você não precisa ter um grande domínio da gramática ou dos recursos literários para começar a transformar em palavras seus pensamentos. Apenas escreva, sem regras: não precisa mostrar para ninguém se não quiser, não se pressione a acertar as vírgulas ou a grafia das palavras. Faça por você, para entender melhor seus mundos: o exterior e o interior.

Vamos a algumas razões para começar a escrever hoje mesmo. Pegue uma caneta e um caderno, crie um blog fechado ou aberto. Escrever faz bem porque…

… a escrita pode funcionar como uma terapia.

Existem estudos que comprovam a eficácia da escrita para reduzir os efeitos da ansiedade e da depressão. Colocar sentimentos e traumas em palavras é uma forma de enfrentá-los e digeri-los. Para algumas pessoas, pode ser um grande passo para tornar uma experiência pesada em algo suportável.

Ao escrever (e depois reler), você consegue se distanciar em certa medida da sua experiência. É quase como ver-se sob o olhar de outra pessoa.

Neste vídeo no Facebook, a psicóloga Nina Taboada fala sobre a importância da escrita de diários pessoais para combater a ansiedade. Uma mente ansiosa é uma mente acelerada. Ao escrevermos, precisamos reduzir a velocidade do pensamento e organizá-lo. Como resultado, conseguimos pensar melhor. Imagine, então, todo o efeito benéfico quando conseguimos fazer disso um hábito.

… a escrita nos ajuda a registrar (e reviver) bons momentos.

Já mencionamos neste post a importância de relembrar momentos felizes para a saúde mental. Guarde bem suas fotos de viagens, aniversários e festas. E que tal anexar a essas fotos alguns relatos seus sobre aquele dia ou ocasião? Piadas, histórias engraçadas, descrições sobre o ambiente e a comida… Coisas que provavelmente se perderiam caso dependessem apenas da nossa memória.

… a escrita pessoal, quando se torna um hábito, retrata nossas mudanças.

Ninguém entra em um mesmo rio duas vezes, pois na segunda vez a pessoa já não será a mesma, assim como as águas já serão outras. Você provavelmente já ouviu ou leu essa frase por aí. É uma ideia do filósofo Heráclito de Éfeso, que nasceu por volta de 540 a.C.

O ato de reler seus textos colocará você em contato não apenas com experiências do passado, mas com a pessoa que você era ao escrevê-los. Preste atenção à escolha das palavras, ao ritmo da escrita, aos detalhes que destacava: o quanto daquilo mudou e o que permanece?

… a escrita de memórias é uma forma de nos apossarmos da nossa história.

Outra frase famosa: quem conta a História são os vencedores. Por mais “verdadeira” que seja uma narrativa sobre um acontecimento, há sempre outros lados, outras versões, outras leituras possíveis. Registrar sua história é apossar-se dela, é construir sua própria narrativa. É (por que não?) um ato de resistência.

[Flávia Siqueira]

Você tem alguma história que gostaria de transformar em livro? Caso você já tenha algum material escrito ou registrado, podemos ajudar você a organizar, revisar e imprimir. Se preferir, também podemos cuidar de todo o processo de produção: das entrevistas e pesquisas iniciais à publicação.

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