BLOG | A história de um livro (e o início de outros)

Escrever um livro contando as memórias de um casal prestes a completar 60 anos juntos? Ouvir suas histórias e transformá-las em texto? O convite era muito interessante, e também desafiador. Minha empolgação foi crescendo conforme eu conversava com o filho do casal, que os presentearia com o livro. A história deles trazia um pouco da história do nosso país: a imigração para o Brasil da família italiana de dona Dalva, a vida no campo, com seus desafios e trabalho duro,a cultura e os causos da roça, a mudança para São Paulo e a adaptação ao trabalho das fábricas e ao modo de vida da cidade grande… E a vida comum e os grandes momentos da história também se encontravam, como quando seu Domingos presenciou os soldados da revolução de 1932 ou as lembranças de como a Segunda Guerra Mundial afetou a vida dos dois no interior do país.

Antes da primeira entrevista descobri que eles estavam um pouco nervosos para falar com uma jornalista e que tinham dúvidas se suas histórias de vida, tão simples, seriam interessantes o suficiente para serem transformadas em livro. Mas a primeira conversa logo foi ficando mais descontraída e a satisfação pela história construída tomou o lugar da apreensão inicial. Eles riam das dificuldades por que passaram e me convidavam a ver, também, com bons olhos a vida. O trabalho duro, no campo ou na fábrica, era lembrado com orgulho. Já a festa de casamento da roça, simples e animada, foi motivo de risadas – sem luxos, eles tinham o necessário e não precisavam de mais.

As histórias de dona Dalva e seu Domingos são contadas não só com palavras, mas também com gestos, modos, olhares e vozes. Para o texto escrito, além de organizar e hierarquizar o grande volume de informações, era preciso valer-se de recursos literários para garantir a leveza, a vivacidade e a força do que estava sendo contado. Isso, claro, sem perder a fidelidade aos fatos vivenciados por eles.

Após a redação de todo o livro, que tem quase 200 páginas (leia alguns trechos aqui), o material ainda passou por algumas etapas complementares e de finalização: revisão da família – para garantir que nenhuma informação errada fosse publicada –, revisão gramatical, criação de ilustrações para algumas passagens, seleção de fotos e documentos a serem reproduzidos na obra, diagramação das páginas, elaboração da capa e, finalmente, a impressão. Ao final, ver os livros impressos foi muito gratificante para todos nós. Foi também neste momento que eu comecei a pensar em como gostaria de continuar este trabalho de ouvir com atenção as histórias e ajudar as pessoas a escrevê-las, registrando sua vida e seu legado. Foi a partir daí que a ideia do Daria um livro nasceu.

[MARINA ALMEIDA]

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Grandes pequenos momentos

“Oito anos depois, estavam ali de novo, naquela mesma estação de trem em que se conheceram. A cidade não havia mudado muito. Os mesmos prédios históricos, os mesmos bares, a mesma pizzaria de esquina em que conversaram pela primeira vez sobre suas vidas: o que faziam, do que gostavam, de onde vinham, para onde iriam. Daquele dia em diante, juntos foram e juntos voltaram.”

Amores, amizades, reencontros, viagens: queremos ouvir e escrever suas histórias. Sim, jornadas épicas e grandiosas existem, mas na maior parte das vezes são os momentos simples que enchem a vida de significados — delicadamente e aos poucos. Daria um livro? Claro! 🙂

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