Escalango: Uma escalada para a vida

Neste e-book, o vice-campeão mundial de paraescalada Raphael Nishimura compartilha sua história de vida, trilhada em meio a paredes íngremes, montanhas, pódios e tratamentos médicos

Do que é feita a vida de uma pessoa com deficiência física? De dificuldades, talvez? Sim, elas existem, mas são apenas uma parte de uma trajetória feita principalmente de sonhos, aventuras, desafios e conquistas. No e-book Escalango: Uma escalada para a vida, o atleta de paraescalada Raphael Nishimura relata o convívio com a distonia muscular e sua jornada até o topo do mundo esportivo.

Para nós, editoras da Daria um Livro, foi uma honra trabalhar com o Raphael na produção desta biografia. Conseguimos chegar a um resultado que reflete bem o estilo do autor – que já há alguns anos compartilha seu dia a dia no Instagram (@raphanishi) e no blog Escalango –, com um texto leve, objetivo e de fácil leitura.

Leia, a seguir, o trecho em que o atleta relata seu primeiro encontro com o mundo da escalada esportiva:

“Fomos até o ginásio em um sábado e fiquei encantado com a altura da via e com as agarras. Decidi arriscar: coloquei a cadeirinha de segurança e fui. Na época, eu mal conseguia andar. Caminhar por uma distância de 50 metros já me deixava exausto e suado. Mas na parede era diferente: era fácil! De agarra em agarra, fui subindo, e a concentração para chegar cada vez mais alto me fazia esquecer dos problemas da vida lá embaixo. Subir dependia apenas de mim, e nada me bloqueava.

Senti a liberdade como nunca. Meus tremores e espasmos sumiram. Eu escalava melhor do que andava. Que descoberta! Conversando com um médico mais tarde, ele me explicou que a concentração para realizar movimentos precisos e o esforço para manter o corpo em equilíbrio junto à parede bloqueiam o excesso de estímulos e os tremores.

***

Praticamente todo mundo que treina escalada em ginásio decide ir para a rocha em algum momento. Era essa justamente a proposta do Fred:

– Rapha, aproveita para treinar forte no ginásio, que depois vamos fazer um curso e ir para a rocha.

– Como que eu vou para a rocha? Como vou fazer a trilha para chegar lá? – perguntei, lembrando que a caminhada era a parte mais complicada para mim.

– A gente dá um jeito.

E deu-se o jeito: os colegas levariam minhas coisas e me ajudariam no caminho.

Era fevereiro de 2008. Viajamos até Pedra Bela, perto de Bragança Paulista (SP). A trilha até o ponto de escalada era curta: cerca de cinco minutos para chegar até a rocha, uma pedra em formato de mesa com uma igreja no alto.

Chegando perto da rocha, fiquei surpreso com a altura. Eram cerca de 50 metros, enquanto a parede do ginásio não passava de 10. Na pedra, não há agarras nem marcações. Fiquei olhando para o alto e me perguntando como eu enfrentaria aquele paredão… Onde encosto? Por onde sigo? O Fred me explicou que ele iria na frente, traçando uma rota, e eu deveria ir atrás.

E ali senti a liberdade novamente, mas de um jeito ainda mais intenso. Na rocha, o vento e o sol são diferentes, há insetos e animais. Ao olhar para trás, você vê tudo pequenininho lá embaixo.”

O e-book Escalango: Uma escalada para a vida está disponível na Amazon e pode ser lido no Kindle (no aparelho ou no aplicativo para celular). Clique aqui para visualizar o e-book na loja.

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Sobre o autor:

Raphael Nishimura nasceu em 1981 na cidade de São Paulo. Convive desde a infância com a distonia muscular, condição que provoca movimentos involuntários e contrações musculares. Tem graduação em Tecnologia e Mídias Digitais pela PUC-SP, MBA em Gestão de Tecnologia da Informação e pós-graduação/extensão em Estratégia Gerencial. Trabalha na área de gestão, finanças e tecnologia. É vice-campeão mundial de paraescalada (França, 2012) e pratica o esporte desde 2007, nas modalidades indoor e outdoor. É um dos fundadores e atual presidente da Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE), eleito para o Conselho Administrativo no Comitê Olímpico Brasileiro (2021- 2024). Criou o projeto ParaClimbing Brasil, que busca promover a paraescalada no país e mostrar que a prática esportiva é possível para todos. Escreve no blog Escalango.com e realiza palestras, nas quais compartilha sua história e suas vitórias na escalada esportiva (e na vida).

A alma literária das nossas correspondências eletrônicas

Reencontros, novas e velhas amizades, namoros, pedidos de ajuda, desculpas… Quase todas as experiências que temos hoje produzem registros escritos em formato digital. Pense em seus e-mails, em seus posts de Facebook, nas longas conversas de WhatsApp.

Existe literatura nessas trocas de mensagens? A resposta pode ser controversa, mas é certo que esse tipo de material documenta com riqueza nossas vivências. Ele tem uma alma, composta por emoções, silêncios, medos, surpresas e alegrias.

A publicação americana The California Sunday Magazine abordou o tema em uma reportagem publicada no dia 04 de abril:

Boa parte da nossa comunicação acontece por meio da escrita, dos pequenos e grandes textos que escrevemos uns para os outros. Hoje, com as inúmeras ferramentas que nos permitem exteriorizar pensamentos em tempo real, cada um de nós se torna seu próprio biógrafo, produzindo registros íntimos do que se vive ao mesmo tempo em que as experiências acontecem.

Algumas pessoas abriram esses registros à publicação. Entre elas, dois estranhos que descobriram ser irmãos. Traduzimos, a seguir, o resumo da história e a troca de mensagens:

:: Dois estranhos que descobriram ser irmão e irmã ::

Yadira Izaguirre tinha 17 anos quando deu à luz seu primeiro filho – uma menina – em São Francisco (EUA), em 1965. Na época, ela morava com uma tia, que não permitiu que a jovem ficasse com o bebê. A criança foi entregue para adoção.

Mais tarde, Yadira se casou e teve mais três filhos – Marcos, Daniel e Raquel -, para quem ela falava abertamente sobre a filha mais velha. Em 2018, décadas após a morte de Yadira, Daniel se inscreveu em um serviço de testes genéticos e foi conectado a outra cliente – com quem, segundo o serviço, ele estava relacionado.

Daniel recebeu uma mensagem de Bianca Seed:

“Olá, a mãe da minha mãe tem exatamente a mesma história que a sua. Sua mãe veio para São Francisco quando chegou nos Estados Unidos?”

Ele ficou encarando a mensagem, atordoado, antes de responder:

Sim, minha mãe deixou a Nicarágua e foi criada por uma tia em São Francisco. Bianca, sua mãe pode ser minha irmã.”

Bianca colocou sua mãe em contato com ele.

28 de maio de 2018

LUCIANNA SEED:
Olá, Daniel.
Nasci em San Francisco em 8 de janeiro de 1965. O nome da minha mãe é Yadira Izaguirre. Eu fui colocada para adoção. Minha mãe tinha 17 anos. Estou muito curiosa para saber se temos a mesma mãe!!!

DANIEL RIVERA:
Oi, Lucianna.
O nome da minha mãe também é Yadira Izaguirre e ela foi criada pela tia Josephina. Meus irmãos e eu sempre soubemos que nossa mãe teve que desistir de seu primeiro filho e dá-lo para adoção. Parece que você é nossa irmã mais velha.

LUCIANNA SEED:
Meu Deus!!!! Estou maravilhada. Eu tenho um irmão!!! Você tem outros irmãos e irmãs?

DANIEL RIVERA:
Luci,
Você tem outro irmão, Marcos, e uma irmã, Raquel. Ambos moram em Ohio. Eu também tenho outras três meias-irmãs com quem cresci. Raquel e Marcos estão me mandando mensagens e querem se conectar com você também.

LUCIANNA SEED:
Estou sem palavras!!

A conversa migra para um grupo formado pelos irmãos.

29 de maio de 2018

LUCIANNA:
Olá, Daniel. Olá, Marcos! Olá, Raquel! Isso é tão surreal. Ainda estou em choque. Sou Lucianna (Luci). Não posso acreditar que este dia se tornou realidade. Eu tenho 2 irmãos e uma irmã !!!

RAQUEL:
Eu mal consigo me expressar em palavras. Você é uma conexão com a mamãe, e só por isso já é gratificante.

DANIEL:
Ficou difícil me concentrar no trabalho. Eu amo tanto todos vocês.

RAQUEL:
Não posso acreditar que isso está acontecendo.

MARCOS:
Eu não sou mais o irmão mais velho, hahaha. Falando sério, eu sempre pensava sobre onde minha irmã poderia estar. E aqui estamos.

Traduzido e adaptado de Re: re: re: re: A glimpse inside the lives of asylum-seekers, new couples, prisoners, and pen pals through their letters, texts, WhatsApp messages, and Facebook posts (The California Sunday Magazine).

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