Nossos livros – leia alguns trechos

Georginacapa_georgina
Costurando histórias

(…)

Sua mãe costurava as roupas da família e, com o tempo, passou a ensinar as filhas. Ela cortava o pano e dava para Georgina. Mostrava como pôr a linha na agulha com cuidado para não furar os dedos. Nozinho firme para começar a costura e a linha ia desenhando blusas e saias e vestidos e camisas. O movimento trêmulo das pequenas mãos foi ganhando segurança, perdendo a força desnecessária e se tornando dança de braços e dedos em linhas e estampas.

– Minha mãe tinha muita paciência de ensinar — conta Dona Geórgia. — É difícil. Mas daí eu aprendi. Até hoje eu faço roupa pra mim.

Ela mostra com orgulho a caixinha em que, hoje, guarda suas agulhas e linhas. Trabalha com “costurinha”, como diz: pregar um botão, apertar uma blusa, refazer uma prega. Se os braços e as pernas doem, as mãos seguem trabalhando com precisão. Ela não precisa de ajuda nem para colocar a linha no buraco da agulha — põe os óculos, anda até a luminária, aperta o botão para acendê-la e com paciência conduz a ponta da linha pela minúscula passagem. [leia mais]

Depoimentos:

“Ficou lindo! Suave de ler, emocionante, real e mágico ao mesmo tempo.” (Lucinda, filha de Georgina)

“Vemos a sabedoria dela com riqueza de detalhes, aquela sabedoria em lidar com a vida, com as pessoas, algo que é próprio dela. Lindo trabalho! A cada história que já conhecemos, vocês conseguiram dar vida através das palavras.” (Sueli, nora de Georgina)

“O resgate que vocês fizeram ficou excelente. Foi um trabalho de costura coletiva.” (Victor, neto de Georgina)


livro1_historiasdevida

Dalva e Domingos
Histórias de vida

(…)

Como moravam longe da cidade, os moradores do interior desenvolveram uma estratégia interessante para atravessar o longo caminho de terra e chegar limpos e com os sapatos bem cuidados ao centro: ir descalços até lá. Quando chegavam, lavavam o pé em algum córrego e, aí sim, colocavam o sapato, que carregavam limpo e bem guardado nas mãos. Ainda economizavam a sola do calçado. Mas a criatividade não tem limites e havia soluções mais engenhosas.

— Eu contei bastante, mas ainda não falei a verdade, não. Em Minas tinha um outro truque. Em Campo Gerais, para ir para a cidade, o pessoal era muito esperto. Lá todo mundo andava descalço, mas para ir à cidade tinha uns que queriam ser meio grã finos. Num pé, calçavam o sapato e no outro amarravam um pano com um pinguinho de tinta vermelha, para dizer que estava machucado e, por isso, não podiam usar calçado naquele pé.

Assim não gastavam a sola dos dois pés do sapato de uma vez. [leia mais]


capa_livro_apparecidaApparecida
Entre idas e vindas

(…)

No começo da infância, quando o mundo ainda era recente, o sítio era sobretudo um lugar de brincadeiras. Havia uma paineira, e suas folhas que caíam. Havia terra e galhos para construir pequenas cidades. E galinhas, com pintinhos que cresciam e outros que morriam ainda muito cedo.

As crianças resolviam, então, enterrar os pintinhos mortos. Brincavam com eles enquanto ainda estavam “quentinhos”, como relata Cida. Depois, faziam o enterro. Mexiam na terra, davam adeus, colocavam flores por cima. Ficavam em silêncio, tristes. Tristes de verdade. Era um brincar de sofrer.

Os adultos não interferiam na brincadeira. A mãe de Cida por vezes estranhava todas aquelas crianças tristes, de repente quietas. Antônia se perguntava se elas não estariam, na verdade, captando alguma mensagem do Além — talvez antecipando, naquele velório de brincadeira, algo ruim que viria a acontecer. [leia mais]

Depoimento:

“Que lindo ficou o livro! Fiquei muito emocionada! Cheguei a descobrir ali coisas que eu não sabia sobre a família.” (Goreti, irmã de Apparecida)


 

Você tem uma história que gostaria de registrar ou transformar em livro? Receba em seu e-mail informações sobre nossos preços e pacotes:

Anúncios