A praia quando criança

Não há um dia sequer em que eu coloque os pés numa praia e não me lembre do deslumbramento que o mar e a areia me causavam quando eu era criança.

Eu conheci o mar na Praia Grande, quando tinha uns quatro anos de idade. Me lembro de estar no carro a caminho desse lugar chamado “praia”, imaginando uma espécie de laguinho com uma multidão de pessoas em volta.

Mas, não. Era algo muito diferente. Era enorme. Era cheio de ondas barulhentas. Tinha aquela areia molhada que, escorrendo do meu baldinho vermelho, formava bolinhas. E as bolinhas podiam ser empilhadas. E aquilo era muito, muito legal. E dava pra correr no mar e encher o baldinho de água. E a água era salgada. Um dia peguei um peixinho preto no baldinho. Cheguei a carregá-lo comigo por aí, até que alguém me convenceu a devolver o pobre coitado ao mar.

Mas nada superava o mar em si. Entrar na água. Estar no mar, levar pancadas das ondas, sair rolando, me ralar na areia, levantar e voltar correndo para a água, esperando a próxima onda. Ficava no raso, e mesmo assim engolia muita água – mas muita mesmo.

E então eu pegava uma virose em praticamente toda e qualquer ida à praia. Me esbaldava o quanto podia no mar e depois passava uns dois dias vomitando. Mas, tudo bem. Não conseguia ainda examinar e entender as causas do mal-estar. Só lamentava não poder mais entrar na água naquela semana.

Ir embora, de volta à grande cidade sem praias, era um momento de profundo luto.

[Flávia Siqueira]

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[BLOG] Fotografar ajuda ou prejudica nossa memória?

Nunca tivemos nossas experiências tão mediadas por telas como nos dias de hoje. Em locais turísticos, shows, museus, diante de um prato de comida visivelmente apetitoso… Lá está a câmera do celular apontando para as coisas do mundo. Será que, na ansiedade de registrar o momento em bits e pixels, estamos esquecendo de viver? Perdemos contato com a realidade? Estamos deixando nossos cérebros preguiçosos e transferindo o papel de memorizar para os arquivos digitais?

Embora tirar momentos para se “desintoxicar” da vida digital e enxergar as coisas apenas com os próprios olhos possa ser mesmo uma boa ideia, talvez nossa situação não seja assim tão desesperadora. A fotografia, afinal, não é uma vilã: pesquisas recentes apontam que o ato de fotografar nos ajuda a recordar com mais eficiência dos aspectos visuais de um determinado momento — mesmo que nunca mais olhemos de novo para a foto.

Muitas dessas pesquisas são feitas em museus, buscando comparar as recordações mentais de dois grupos: pessoas orientadas a fotografar os objetos e pessoas orientadas a não tirar fotos. Nos estudos mais recentes, aquelas que fotografaram — sobretudo se tivessem usado o recurso de zoom para capturar detalhes — conseguiram reconhecer mais objetos do que o outro grupo. Por outro lado, aqueles que fotografaram também tiveram desempenho pior ao tentar recordar as explicações em áudio sobre as obras.

Efeito back-up?
Pesquisas realizadas nos anos 1960 apontavam para um fenômeno chamado “cognitive offloading” (“descarga cognitiva”), uma espécie de esquecimento intencional: como nosso cérebro sabe que pode contar com outros dispositivos para se lembrar de objetos e afazeres, ele economizaria esforços e deixaria de memorizar essas coisas. Faz sentido, principalmente se pensarmos em recursos como listas de compras e receitas.

A hipótese atual, contudo, é que o comportamento do cérebro dependeria, na verdade, da nossa intenção ao realizar determinado registro num suporte externo (papel, galeria do celular etc.). Se escrevemos um aviso no papel simplesmente para tirá-lo da nossa cabeça e reduzirmos nossa preocupação, o cérebro “relaxa” e abre mão daquela memória. Mas, se o que queremos é guardar o registro de algo que foi significativo para nós, essa motivação pode nos ajudar a olhar com mais atenção para os detalhes ao fotografar — e, consequentemente, produzir recordações mentais mais ricas.

(Adaptado de How Taking Photos Affects Your Memory of the Moment Later On – Nymag.com)

Você tem fotografias que são muito importantes para você? Guarda imagens antigas da família, registros de viagem, fotos dos filhos quando pequenos? A Daria um Livro pode ajudar você a reunir todas essas imagens num livro, acompanhadas de textos produzidos com muito cuidado. Conheça nosso trabalho e entre em contato conosco.

[FLÁVIA SIQUEIRA]

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[BLOG] Entrevistas em vídeo de Carlos Drummond de Andrade

Nesta quinta-feira (17) completam-se 30 anos desde a morte do poeta Carlos Drummond de Andrade. Trinta anos, uma data redonda, destas que — segundo se aprende entre jornalistas — pedem um lembrar-se especial: uma matéria grande e vistosa, uma sequência de entrevistas com grandes teóricos…

Sim, há algo de artificial nisso, mas onde não há? Os marcos da vida e da rotina são invenções nossas, de qualquer maneira. E nunca é demais falar de Drummond. Então, falemos.

O Drummond do papel é o gênio que todos que estudam literatura conhecem. Mas existem, por aí, entrevistas em vídeo que mostram de relance também o gênio humano de Drummond, que fala de maneira franca e meio tímida sobre a vida e sua poesia. Selecionamos alguns desses vídeos:

1) Nesta entrevista, o poeta fala sobre ser ao mesmo otimista e pessimista, a idade e seu método de trabalho. Seus “perrengues” como trabalhador da escrita o aproximam de nós todos: “Quando tô no ônibus, assim, vem uma ideia, mas eu não tenho lápis nem papel… Aquilo voa e não volta mais, né? Chato, mesmo…”

2) Aqui, Drummond fala um pouco sobre Itabira, sua cidade natal. Pacata, tranquila e entediante, é dela que o poeta fala em Cidadezinha qualquer:

3) No próximo vídeo, Drummond recita o poema No meio do caminho e fala sobre o espanto que ele causou na época, por sua simplicidade:

[BLOG] Por que nos esquecemos?

Tendemos a achar que ter uma boa memória é se lembrar de tudo — ou quase tudo. Mas será que carregar em nossa mente tanta informação sobre coisas do passado seria mesmo algo desejável? De acordo com um artigo publicado por dois neurocientistas na revista Neuron, o esquecimento exerce, sim, um papel importante em nosso cérebro.

Segundo eles, a memória não tem a função de gravar tudo o que vemos e ouvimos, mas de registrar informações e regras que sejam úteis para tomarmos decisões. Ela deve ser seletiva, portanto. Por isso, faz todo o sentido que o cérebro se livre de informações irrelevantes e desatualizadas — coisas que, se não caíssem no esquecimento, poderiam até nos causar problemas no dia a dia.

E esquecer não sai “de graça” para o cérebro: na verdade, ele gasta energia para desfazer antigas conexões entre os neurônios e substituí-las por novas. Se evoluímos ao longo de milênios para operar dessa maneira, é porque deve valer a pena.

Esquecer nos deixa mais eficientes. Imagine, por exemplo, que você memorize o nome errado de uma pessoa — se você não conseguir esquecê-lo e substituí-lo pelo nome correto, acabará sempre se confundindo. Outro aspecto útil do esquecimento é impedir que a mente gaste energia se apegando a inúmeros detalhes e consiga, em vez disso, formar “quadros gerais” para definir objetos e situações.

De qualquer maneira, não existe uma fórmula que defina o que vamos esquecer e do que vamos nos lembrar. Esquecer-se logo em seguida ou lembrar-se de algo por anos (ou talvez pela vida inteira) são caminhos que dependem de muitos fatores: a novidade da situação, o grau da nossa atenção naquele momento, o nível de adrenalina no organismo. Memórias de eventos traumáticos, por exemplo, continuam conosco porque o cérebro as entende como informações importantes para nossa sobrevivência.

Portanto, esquecer-se é uma função do cérebro, e não um defeito.

(Traduzido e adaptado de Are you forgetful? That’s just your brain erasing useless memories | The Verge)

Mas é claro que há maneiras de driblar nossa tendência ao esquecimento. Há muita coisa que merece ser lembrada! Você costuma registrar os bons momentos? Guarda com você as boas histórias vividas ao lado de amigos e familiares? Criar um livro com essas histórias (e lições) pode ser uma forma de autoconhecimento, além de um belo registro para as gerações futuras. Não sabe por onde começar? Entre em contato conosco! A Daria um Livro escreve e edita suas histórias.

[Flávia Siqueira]

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Memórias que atravessam gerações (por meio de seus genes!)

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Por que escrever nos ajuda a viver melhor

[BLOG] Dia do escritor: por que escrever?

Hoje, 25 de julho, é o Dia Nacional do Escritor. A data foi instituída em 1960, pela União Brasileira de Escritores.

O processo de criação e escrita é tema frequente de entrevistas com escritores. Reunimos, a seguir, o que grandes nomes da literatura já disseram sobre a arte de organizar pensamentos em palavras escritas:

“Para mim, não existe diferença entre a literatura e a vida. A literatura foi o caminho que eu encontrei para enfrentar essa bela tarefa de viver.” (Ariano Suassuna)

“A gente escreve a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os demais, para denunciar o que dói e compartilhar o que dá alegria. A gente escreve contra a própria solidão e a dos outros.” (Eduardo Galeano)

“Escrevo para salvar a alma.” (Fernando Pessoa)

“Para que meus amigos me amem mais.” (Gabriel García Márquez)

“Escrevo contra a passagem natural do tempo. Jogo o passado na direção do presente para fazê-lo tropeçar.” (Günter Grass)

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer’. Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?” (José Saramago)

“No fundo, é uma coisa que não entendo: por que algumas pessoas têm necessidade de viver duas vezes? Uma vez quando vivem, e outra quando escrevem?” (Marguerite Duras)

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. É se fazer ver.” (Rachel de Queiroz)

[Fonte: Coletânea Por que escrevo?; José Domingos de Brito (org.)]

Na Daria um Livro, acreditamos que sua história é única e merece ser registrada; que o exercício de ouvir e contar histórias, tão simples, é capaz de transformar e dar sentidos às nossas vidas. Conheça nosso trabalho.
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A história de um livro (e o início de outros)

[BLOG] Ecléa Bosi e seu pensar sobre a memória

Morreu nesta segunda-feira (10) a professora e pesquisadora Ecléa Bosi. Ecléa era professora emérita do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e foi a idealizadora do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade.

O tema memória é central em seu trabalho. No livro Memória e sociedade – Lembranças de velhos (Companhia das Letras, 1994), Ecléa faz um resgate não apenas das informações sobre o passado de famílias imigrantes na cidade de São Paulo, mas da arte e do trabalho de viver, lembrar, narrar e registrar. Velhos somos e seremos todos — e isso é bom (e necessário). Leia, a seguir, alguns trechos do livro:

“A criança recebe do passado não só os dados da história escrita; mergulha suas raízes na história vivida, ou melhor, sobrevivida, das pessoas de idade que tomaram parte na sua socialização. Sem estas haveria apenas uma competência abstrata para lidar com os dados do passado, mas não a memória.”

“Curiosa é a expressão ‘meu tempo’ usada pelos que recordam. Qual é o meu tempo, se ainda estou vivo e não tomei emprestada minha época a ninguém, pois ela me pertence tanto quanto a outros, meus coetâneos?”

“A memória do trabalho é o sentido, é a justificação de toda uma biografia. Quando o sr. Amadeu fecha a história de sua vida, qual o conselho que dá? De tolerância para com os velhos, tolerância mesmo para com aqueles que se transviaram na juventude: ‘Eles também trabalharam’.”

“Por muito que deva à memória coletiva, é o indivíduo que recorda. Ele é o memorizador e das camadas do passado a que tem acesso pode reter objetos que são, para ele, e só para ele, significativos dentro de um tesouro comum.”

“É preciso reconhecer que muitas de nossas lembranças, ou mesmo de nossas ideias, não são originais: foram inspiradas nas conversas com os outros. Com o correr do tempo, elas passam a ter uma história dentro da gente, acompanham nossa vida e são enriquecidas por experiências e embates.”

“O narrador é um mestre do ofício que conhece seu mister: ele tem o dom do conselho. A ele foi dado abranger uma vida inteira. Seu talento de narrar lhe vem da experiência; sua lição, ele extraiu da própria dor; sua dignidade é a de contá-la até o fim, sem medo. Uma atmosfera sagrada circunda o narrador.”

“Há casas em cidades tranquilas em que o tempo parou; o relógio das salas é o mesmo que pulsava antigamente e as pessoas que pisam as tábuas largas do assoalho conservam um forte estilo de vida que nos surpreende pela continuidade.”

“Por que decaiu a arte de contar histórias? Talvez porque tenha decaído a arte de trocar experiências. A experiência que passa de boca em boca e que o mundo da técnica desorienta.”

 

 

[BLOG] Faça download gratuito das obras de Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro. Morreu em setembro de 1908, aos 69 anos. Mestre da ironia, é considerado por muitos como o maior nome da literatura brasileira. Neto de escravos alforriados, ele não frequentou a escola de forma regular — foi um autodidata.

As obras de Machado estão em domínio público e, portanto, o acesso a elas é livre e gratuito. Reunimos, a seguir, alguns links para baixar seus contos e romances em formato digital:

– No endereço http://machado.mec.gov.br/obra-completa-mainmenu-123, disponibilizado no centenário da morte do escritor, está disponível a obra completa de Machado de Assis, nos formatos PDF e HTML — dos livros mais famosos a seus textos de crítica literária.

– No site LeLivros, é possível baixar romances e coletâneas de contos em vários formatos: ePUB (livro digital), mobi (para leitura no aparelho Kindle), pdf e leitura online. Algumas sugestões:

  1. Memórias Póstumas de Brás Cubas, a obra-prima cujo narrador é um autor defunto (ou seria um defunto autor)?
  2. Dom Casmurro, outra obra-prima sempre lembrada pelas listas de leitura para vestibulares. Embora muitos leitores considerem a pergunta Capitu traiu Bentinho? como algo central na narrativa, mais importante é perceber como Machado constrói o narrador, que está ali para dar sua versão dos acontecimentos, e não para apresentar um retrato imparcial da verdade.
  3. Memorial de Aires, útimo romance de Machado. Construído como um diário, muitos enxergam nesse livro elementos autobiográficos.
  4. 50 Contos de Machado de Assis, antologia de 2007. Está ali A Cartomante, um dos contos mais lidos de Machado.
  5. Quincas Borba, a história de um homem que recebe toda a herança e o cachorro de um filósofo.

 

Já conhece a Daria um Livro? Somos uma editora especializada em livros personalizados. As memórias de seus avós e seus pais, lembranças de viagens, momentos marcantes entre amigos, histórias de amor… Tudo isso pode ser transformado em livro. Saiba mais sobre nosso trabalho.

[BLOG] De Camões à diversidade de sotaques da língua portuguesa

10 de junho: data de morte do poeta Luís Vaz de Camões (1524 – 1580) e, desde o começo do século 20, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. No passado, a data chegou a ser exaltada por regimes nacionalistas e totalitários. Hoje, podemos usá-la como ponto de partida para admirar a diversidade dos países e territórios que falam português. Sabia que há falantes da língua na China e na Índia?

Com 273 milhões de falantes, o português é a quinta língua mais falada no mundo. É o idioma oficial de nove países (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste) e de uma entidade independente (Macau, na China). Na Índia, o português é falado por comunidades do estado de Goa. Veja o mapa:

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[Créditos: Jonatan argento (Wikipedia en portugués, español, inglés y francés.) , via Wikimedia Commons]
São Paulo é a cidade com o maior número de falantes de português em todo o mundo. E, na metrópole paulista, cabem praticamente todos os sotaques do país: o modo de falar das pequenas cidades do interior, das cidades do Nordeste, do carioca, do gaúcho…

Como é a sua maneira de falar o português? E a dos seus pais e avós? Ao escrever nossos livros aqui na Daria um Livro, temos a preocupação de registrar no texto aspectos da fala dos nossos personagens reais. Conheça alguns de nossos livros.

LEIA TAMBÉM:
[BLOG] Georgina, a voz no livro

Um dos vídeos mais interessantes (e belos) que mostram a riqueza dos sotaques dos falantes de português é este, em que um mosaico de rostos, vozes e culturas declama o texto O Paraíso São os Outros, de Valter Hugo Mãe:

(Sério. São 15 minutos de vídeo que valem muito a pena ser vistos.)

[BLOG] Veja algumas inspirações para diários e agendas

Agendas e diários não precisam ser monocromáticos e sisudos. Vale escrever, desenhar, rabiscar, colar adesivos e lembretes… Tudo para tornar a experiência de registrar e relembrar algo divertido e relaxante.

Canetas, lápis coloridos e [insira aqui seus artigos favoritos de papelaria] a postos! Reunimos abaixo algumas inspirações que encontramos no Pinterest.

Quer registrar em livro suas histórias? Homenagear alguém com um presente especial? Organizar suas memórias e fotos de viagem? Conheça nosso trabalho.

(*Clique sobre as imagens para navegar entre elas)


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15 diários em tópico da vida real para te inspirar a começar um – Buzzfeed

Diário em tópicos, ‘bullet journal’ ajuda na organização cotidiana – Folha de S. Paulo

Como adotar o método do bullet journal – Galileu

[BLOG] Três poemas em homenagem às mães

Neste Dia das Mães (e no ano todo), que elas tenham tudo o que merecem, começando por empatia, respeito e liberdade. Cada mãe é uma mulher com história e características únicas — e nada mais inspirador do que a diversidade.

Selecionamos três poemas de grandes escritores brasileiros sobre o amor dos filhos pelas mães:

Ensinamento

Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor. Essa palavra de luxo.
(Adélia Prado)

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
– mistério profundo –
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drummond de Andrade)

MÃE…

São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!
(Mario Quintana)

Gostaria de transformar a trajetória da sua mãe ou de sua família em livro? Conheça nosso trabalho.