Quarentena: como ajudar quem mais precisa

Todos os dias agora penso no mundo que está parando, em todos os planos que foram cancelados e estão suspensos e em como a vida acontece de um jeito que a gente é incapaz de imaginar e de prever.

Penso na tristeza que dá e que a gente tenta não pensar para continuar, e em como os gestos de solidariedade têm me emocionado tanto esses dias…

Tem gente que liberou seu livro de graça, seu filme, seu curso, gente que está doando dinheiro, atenção, preocupação, psicólogos atendendo de graça quem precisa, gente preocupada, divulgando informação, distribuindo carinho, afeto, abrindo a janela, o telefone até pra um estranho, ligando pros amigos, pra família… Mais que as notícias de dor, isso é o que me tem comovido às lágrimas.

E eu tenho pensado quase todo dia se eu fiz o meu melhor, se eu divulguei um serviço legal, um projeto, ou uma denúncia. Se assinei aquele abaixo-assinado – que parece tão pouco, mas se formos muitos… quem sabe –, se doei um pouco para quem precisa tanto, se liguei para a amiga, se mandei mensagem para aquela outra que vive sozinha, se cuidei bem dos meus aqui em casa…

Tem vezes também que só ficar bem para mim mesma, superando o medo, a ansiedade e fazendo o que precisa ser feito é trabalho para o dia todo, e tento respeitar isso. Mas tem dia em que eu faço mais, e que bom.

Isso era só um pequeno desabafo, mas resolvi listar abaixo algumas atitudes que todos podemos tomar – muitas de dentro de nossas casas – para fazer um pouco mais pelo outro, esse jeito diferente de fazer algo também por nós mesmos.

Como diz a famosa frase da cantora Joan Baez: “o melhor antídoto contra o desespero é a ação”. Vamos agir? Aqui estão 9 formas de ajudar:

1. Fazer uma doação

Várias campanhas tem surgido com o objetivo de oferecer alguma assistência aos mais vulneráveis, que ficaram ainda mais expostos à doença e à fome. As campanhas são muitas, mas separei aqui algumas que me tocaram e que são reconhecidos pela seriedade:

Mutirão do bem viver

Este projeto, que une o campo e a cidade, prevê a distribuição de alimentos agroecológicos para a população em situação de rua e para moradores de periferias e de territórios vulneráveis no campo e nas florestas, além da criação de hortas e cozinhas comunitárias. Conheça mais e participe neste endereço: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/mutirao-do-bem-viver-em-resposta-a-pandemia.

Moradores de rua

O padre Júlio Lancellotti recebe doações de material de higiene e limpeza, alimentos e roupas, presencialmente na rua Taquari, 1100, Mooca, São Paulo. Doações em dinheiro podem ser feitas para Mitra Arquidiocesana de São Paulo CNPJ 63.089.825/0001-44, Banco Bradesco, Agência 0124, Conta Corrente 0053148-0.

Povos indígenas

Epidemias têm um impacto ainda maior nos povos indígenas, e muitos deles vivem em regiões afastadas e sem acesso fácil a hospitais e postos de saúde. Com o isolamento, algumas aldeias também podem sofrer com a falta de alimentos e com o fim de recursos vindos de eventos e venda de artesanato. Para apoiá-los, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) organiza uma vaquinha: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoie-os-povos-indigenas.

MTST

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto criou um fundo solidário para ajudar na compra de alimentos e itens de higiene para distribuir para a população de pessoas sem-teto. Para doar, acesse https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-os-sem-teto-a-enfrentar-o-coronavirus.

Periferias do Rio de Janeiro e de São Paulo

O dinheiro arrecadado será usado na distribuição de alimentos e kits de higiene em diversas comunidades: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/campanha-de-solidariedade-em-tempos-de-coronavirus

Equipamentos de saúde

Para ajudar o Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo a adquirir equipamentos de proteção individual usados no atendimento aos pacientes, foi criada esta campanha: https://www.charidy.com/vempraguerra.

2. Manter contato virtual com amigos e familiares

Vale lembrar também daquela pessoa com quem você não tem contato faz tempo e dos colegas que sofrem com ansiedade ou depressão e que podem estar precisando ainda mais de uma conversa nessa hora.

Difícil dizer se você vai mais ajudar ou ser ajudado dessa forma, mas é uma ótima maneira de passar a quarentena.

3. Fazer compras para seu vizinho idoso ou com algum problema de saúde

E também podem ser de grande ajuda: uma ligação, uma mensagem, ou mesmo um bilhetinho deixado no elevador para falar com o vizinho com quem você não tem muito contato, mas que pode estar precisando de um apoio nessa hora.

4. Doar sangue

A recomendação é não sair de casa se não for necessário, mas, se você mora perto de um local de coleta de sangue, pode aproveitar uma saída e fazer uma doação. Por conta da crise, as reservas de bolsas de sangue estão operando com baixa capacidade.

Para reduzir os riscos de contágio, muitos lugares também estão trabalhando com agendamento individual de horário para a doação, além de reforços na higienização do ambiente. Em São Paulo, você pode saber mais no site da Pró-Sangue: www.prosangue.sp.gov.br.

5. Pagar a empregada doméstica e dispensá-la do trabalho

Isso reduzirá a exposição dela (e a sua, por tabela) ao novo coronavírus. Manter a remuneração é uma forma de proteger a pessoa que trabalha em sua casa da vulnerabilidade econômica num momento tão complicado. Se você tem condições de pagar uma doméstica no dia a dia, provavelmente também tem como manter a remuneração dela neste período.

6. Fazer máscaras de pano…

… e distribuí-las para familiares, vizinhos e profissionais que precisam circular pelas ruas.

Veja como fazer aqui e lembre-se da importância de retirá-las corretamente após o uso e de higienizá-las antes de reutilizar: lave com água e sabão, deixe secar ao sol e passe com ferro quente. Leia mais sobre os cuidados nesta matéria.

7. Usar seu computador para processar pesquisas sobre o coronavírus

Com um simples cadastro neste site, sua máquina pode ajudar pesquisadores a processar dados sobre o vírus nos períodos em que ela estaria ociosa. Participando da iniciativa, você receberá informações periódicas sobre a pesquisa que está sendo processada em seu computador. Mais informações no site (em inglês) https://foldingathome.org/.

8. Assinar um abaixo-assinado

Algumas campanhas online podem ter efeito se conseguirem um grande número de assinaturas neste momento. Destaco aqui este apelo por um cessar fogo mundial, para que os países deixem conflitos de lado e se concentrem em salvar mais vidas neste momento, e este pelo perdão da dívida dos países mais pobres, permitindo que esse dinheiro seja usado para salvar vidas.

9. Fortalecer o pequeno empreendedor

Comprar no comércio local, divulgar os produtos e serviços das pequenas empresas e ajudar a divulgar seu trabalho são formas de fortalecer esses negócios e ajudá-los a não quebrar neste momento de difícil competição com os grandes grupos.

[Marina Almeida]

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