Palestra na escola: olhar crítico para as notícias

Num momento de grande disseminação de notícias falsas pelo Brasil e pelo mundo –manchando reputações, influenciando o eleitorado e colocando vidas em risco –, ficamos muito felizes com o convite para uma palestra sobre fake news para os alunos da Escola Estadual Murtinho Nobre Doutor, na zona sul de São Paulo.

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A partir de nossa experiência em redações impressas e digitais e de nossa formação em jornalismo, elaboramos um guia sobre como descobrir se uma notícia é falsa e os riscos de se compartilhar publicações mentirosas.

Começamos a apresentação relembrando o caso do linchamento de Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá (SP). O crime aconteceu após uma página de Facebook ter disseminado a falsa notícia de que haveria uma mulher sequestrando crianças no bairro de Morrinhos.

Como mostramos aos alunos do ensino médio da escola, notícias com tom muito alarmista, apelo a emoções fortes (como raiva e indignação) e referências a teorias conspiratórias devem ligar os primeiros sinais de alerta de que aquela informação talvez não seja verdadeira. Frases como “ABSURDO!” e “COMPARTILHE ANTES QUE APAGUEM”, escritas geralmente em letras garrafais, são algumas das expressões mais usadas por essas publicações.

Mesmo nos casos em que a publicação mentirosa busca imitar uma notícia de verdade, dificilmente a informação resiste a um olhar mais crítico e a uma apuração básica de informações – que pode ser feita a partir de ferramentas simples, como uma busca na web pelos principais termos citados no texto. Sites como E-farsas e Boatos.org desmascaram há anos mentiras compartilhadas em correntes de e-mail, redes sociais e – mais recentemente – grupos de Whatsapp.

Também sugerimos o acompanhamento de veículos de checagem e aprofundamento, como o projeto Truco (Agência Pública), a Agência Lupa, o Nexo Jornal, o site Me explica? e editorias de verificação de portais como o UOL e o G1.

Também conversamos um pouco sobre como ler de forma mais crítica os veículos tradicionais de informação: é preciso conhecer seus principais anunciantes e a linha editorial de cada um deles. Na chamada “grande mídia”, embora existam esforços para não publicar informações mentirosas, o direcionamento e a parcialidade se constróem em torno de elementos mais sutis: na definição das pautas, na inclusão de certos entrevistados e na exclusão de outros, na escolha de palavras.

Foi muito gratificante falar sobre o assunto com os jovens e ficamos honradas com o convite e a confiança dos professores da escola. Acreditamos que o desenvolvimento de uma leitura mais crítica e a discussão sobre a forma como nos informamos são fundamentais para a construção de uma sociedade melhor.

[Flávia Siqueira e Marina Almeida]

 

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